Última edição: 29/11/06 - MeuJornal.net |Ano III | Edição Nº 302 | Vitória - ES | Brasil
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Cultura


Canudo de papel
O diploma e as orelhas

Carlos Brickmann *
 
Aparício Torelly, ou Aporelli, ou o Barão de Itararé, foi um dos grandes humoristas brasileiros. Membro do Partido Comunista (na ilegalidade), e sabendo que a truculenta polícia política poderia invadir sua redação, colocou na porta um cartaz histórico: "Entre sem bater". É dele também a frase definitiva: "Diploma não encurta a orelha de ninguém".

O debate sobre o diploma de jornalista parece partir do princípio de que, obtido o diploma, as orelhas se reduzem e o cavalheiro pára de zurrar. Gente como Ricardo Kotscho, como este colunista, como Boris Casoy, como Eduardo Suplicy, como Joelmir Beting, sem diploma de jornalista, está condenada à mais profunda ignorância. Se souber duas línguas, uma será o zurro; outra, o relincho.

O Brasil teve normas regulatórias antes de ser um país; teve censura antes de ter imprensa. Talvez por isso, imagina-se que uma profissão, não sendo amparada por um diploma, será forçosamente mal exercida. Só que não será, não: pode-se perfeitamente trabalhar em jornal sem um papel assinado – e assinado por gente que, muitas vezes, jamais deu a honra de sua presença numa Redação.

Diploma de jornalista não é ruim: é bom. Pode ser ótimo. É desejável. Mas não é essencial. E nem vamos entrar naquela conversa mole de que os patrões querem abrir o mercado para pagar menos. Patrão, por definição, sempre procura pagar menos. E os exemplos citados, de jornalistas sem diploma, sempre estiveram entre os maiores salários das redações em que se engajaram.

Talvez o motivo da luta pelo diploma seja outro, mais feio: a reserva de mercado. Porque, não haja dúvida, as empresas sempre vão procurar os profissionais que julgarem mais competentes; e, se não houver lei, rigidamente fiscalizada, com penas severíssimas, escolherão os melhores, com diploma ou sem ele.”
(NR)*Carlos Brickmann é jornalista. Sem diploma.
Fonte: Observatório de Imprensa -21/11/06
MeuJornal.net: 23/11/06

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Peso do papel
STF garante exercício de jornalismo sem diploma

“O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, garantiu o exercício de atividade jornalística aos que atuam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área. A decisão, que tem de ser referendada pela 2ª Turma do STF, foi tomada em Ação Cautelar proposta pela Procuradoria-Geral da República.

Gilmar Mendes acolheu os argumentos da PGR de que a decisão cautelar é necessária para ‘evitar a ocorrência de graves prejuízos àqueles indivíduos que estavam exercendo a atividade jornalística, independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior específico'. A decisão é válida até o julgamento do Recurso Extraordinário que definirá a questão.

De acordo com o ministro, o recurso extraordinário discute matéria de ‘indubitável relevância constitucional', especificamente a interpretação do artigo 5º, inciso XIII, da Constituição, que dispõe: ‘é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer'.

O ministro ressaltou que o tema também discute a interpretação do dispositivo que estabelece que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”, garantindo a plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social.

Histórico

O Ministério Público Federal entrou com ação em outubro 2001 para que não seja exigido o diploma de jornalista para exercer a profissão. No dia 23 de outubro de 2001, por decisão liminar, foi suspensa a exigência do diploma de jornalismo. A ação foi julgada parcialmente procedente em primeira instância.

Recorreram contra a sentença o MPF, a União, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo. Em outubro de 2005, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região entendeu que o diploma é necessário para o exercício do jornalismo. Então, o Ministério Público Federal entrou com Recurso Extraordinário no STF e, em seguida, com a Ação Cautelar para garantir o exercício da profissão por quem não tem diploma até que o tema seja definido pelo Supremo.

Segundo o MP, o Decreto-Lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, vai de encontro com o artigo 5º da Constituição de 88 que garante a liberdade de expressão.”
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 17/11/06
MeuJornal.net: 18/11/06

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Vida de estudante
STF julga transferência de escola pública para privada


“O caso de uma universitária que conseguiu transferência de curso privado no Rio de Janeiro para um público, em João Pessoa, na Paraíba, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. O relator será o ministro Cezar Peluso. A reclamação foi ajuizada pela Procuradoria-Geral da República.

A PGR contesta a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que aceitou a transferência da estudante de medicina. Para os procuradores, o acórdão do TRF-5 desrespeitou decisão do STF no julgamento do mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3324), de agosto do ano passado.

Na ocasião, a Corte entendeu que a transferência de alunos para estabelecimentos educacionais deve observar a congeneridade das instituições envolvidas, isto é, de privada para privada ou de pública para pública. “Portanto, assentou essa Corte o entendimento de que não mais é possível a transferência obrigatória de estudantes entre instituições de ensino diversas”, destaca o Ministério Público Federal.

No caso, a estudante ajuizou Mandado de Segurança na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba para obter a transferência do curso de medicina da Universidade de Iguaçu (RJ), para o mesmo curso na Universidade Federal da Paraíba. A universitária justificou a ação judicial com o argumento de que tinha sido nomeada para exercer cargo na prefeitura de João Pessoa.

Em primeira instância, o pedido foi negado. O TRF-5 acolheu o recurso de apelação da estudante e permitiu a transferência. A PGR sustenta que o juiz de primeiro grau agiu certo ao negar o pedido. “Ele observou que a mudança de domicílio, do Rio de Janeiro para João Pessoa, deu-se em interesse particular e não no interesse da administração, pois a estudante, nomeada para exercer cargo em comissão na Secretaria Municipal de João Pessoa, não mantinha vínculo anterior com o serviço público, o que afasta o alegado direito de transferência compulsória de universidade”, alega a PGR.

Assim, o Ministério Público Federal solicita a concessão de liminar para suspender a decisão do TRF-5 favorável à estudante até o julgamento final da reclamação. No mérito, a PGR pede que seja julgada procedente a reclamação para cassar o ato questionado.”
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 10/11/06
MeuJornal.net: 11/11/06

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Imperialismo autoral
“Tradutor americano recebe direitos autorais de Tom Jobim

Priscyla Costa

A família do compositor Tom Jobim luta na Justiça dos Estados Unidos para receber os direitos autorais das versões em inglês das músicas do maestro. A Universal Music Publishing, braço editorial da gravadora que detém os direitos do compositor e que autoriza quaisquer versões de músicas de seus contratados, cedeu direitos para versões em inglês das obras de Jobim, mas entendeu de pagar os direitos autorais de sucessos internacionais como Garota de Ipanema e Insensatez somente para o americano contratado para fazer a tradução das obras para o inglês, Norman Gimbel.

A ação, proposta há mais de um ano, corre no Corte Distrital Sul de Nova York. A viúva e os filhos do maestro são representados pelo advogado John Rosenberg. Garota de Ipanema, em suas diversas versões, é uma das canções mais executadas do planeta. Somente nos Estados Unidos, a obra foi gravada, entre outros, por Frank Sinatra, Quincy Jones, Miles Davis e Dizzy Gillespie.

No processo, os herdeiros de Tom Jobim alegam quebra de contrato e a falta de pagamento de direitos autorais. Sustentam que a editora não é dona dos direitos do compositor, apenas cessionária por licença. Por isso, estaria desautorizada a dispor individualmente desses direitos e de pagar os royalties somente à parte que foi contratada para fazer a versão das letras para o inglês. Na ação, além do pagamento dos direitos, a família pede também a reparação dos danos causados.

O processo trata especificamente da veiculação das músicas de Tom em quatro países da Ásia (Hong Kong, Taiwan, Malásia e Cingapura), outros quatro da América Latina (México, Chile, Argentina e Colômbia).

Direito Comparado

De acordo com o advogado Nehemias Gueiros, especialista em Direito Autoral, a legislação internacional de direitos autorais, tanto em convenções e tratados como, principalmente, no âmbito interno dos países, prevê remuneração regular para tradutores, versionistas, arranjadores e adaptadores. Porém, os royalties pagos nesse caso são substancialmente menores do que os dos autores originais.

Nehemias Gueiros explica que a lei americana de direitos autorais (U.S. Copyright Act), de 1976, por exemplo, é clara nesse sentido, em seus artigos 114 e 501, quando trata das limitações dos titulares e licenciados de direitos autorais de terceiros. Como os Estados Unidos são signatários, desde 1989, da Convenção Internacional de Berna sobre a Proteção aos Direitos de Autor, o ordenamento jurídico protege de forma recíproca as obras estrangeiras.

“Tudo indica que os herdeiros de Tom Jobim estão diante de uma vitória nas barras dos tribunais americanos, não sem antes experimentarem as agruras da litigância daquele país, mas trata-se de um caso paradigmático, que por certo terá o condão de consolidar o entendimento da matéria no maior mercado de entretenimento do mundo, influenciando, desta forma, a comunidade global do show business”, afirma o advogado.”
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 08/07/06
MeuJornal.net – 08/07/06

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V de vingança: a anarquia vence

“Os ideais são à prova de bala?
São à prova do luxo e do deslumbramento?

São à prova do exercicio do poder?

O filme V de Vingança excelente. Um anarquista, solitariamente, promove uma revolução e vence!!

Desmoraliza a religião; explode, literalmente, o judiciário e o parlamento; causa uma série de lutas (o poder pelo poder), que resulta na ausência de ordenadores no executivo; implode a mídia. E, “the end”. Ficamos sem saber o “day after”, mas isso não tem a menor importância.

Com final anarquista, a peça é contemporânea, embora permeada de George Orwel (1984 e Revolução dos Bichos). O desenrolar da película é instigante: identificamos Bush, Blair, Hugo Chaves, Fidel, ... E nós, simples cidadãos, em busca de trabalho e de uma rede para deitar!!!! Caramba!! Como a gente é inocente, puro e besta, sô!!

?Bons tempos aqueles da gonorréia, do Delfim Neto e das ditaduras explícitas, não internéticas?

Ah! No fundo musical, salvo engano de um desatento, Bethoven, Corcovado e Garota de Ipanema.”
Colaboração de Gil, economista - Vitória/ES –Remetida em 04/05/06
MeuJornal.net – 05/05/06

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"Contrapassos
(Droga de Felicidade)

Revil Filho

Procurei-te em fumaças,
Seguindo o turbilhão do perfume que achei teu;
E só me vi perdido, com os anos passados
Afugentando o pó que o tempo me deu.

Já não respiro tranqüilo,
Carcomido estou em minhas entranhas.
Estranha felicidade que não tem sentido
Sentindo o mal que a vida arrebanha.

Debruço-me em sonhos do luar no quarto
Ferindo dedos em pontas de estrelas;
De olhos fechados, te enxergo e me mato
Nas vias dos braços onde pensei tê-la.

Felicidade assim é passageira e cega,
Nega a folha tenra que no galho viceja
Nega o orvalho que à planta rega,
Nega o mar que à areia beija.

Quero-te da emoção do primeiro filho,
Quero-te na emoção do primeiro amor.
Não me venhas bandida, minando meu ato,
Mas me diga no ato que o teatro passou
E traga-me à vida, real, inda finita,
Que, bendita, insiste, e não me largou.

E a felicidade querida que um dia busquei
Posso hoje dizer que enfim, me achou.”
Colaboração de Revil Filho, economista (ES), remetida em 18/04/06
MeuJornal: 21/04/06
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O evangelho da mídia
A vingança de Judas Iscariotes

Alberto Dines

"Foi um dia bíblico, em todos os sentidos. De certa forma, apocalíptico – reverteu crenças, mitos e tradições que já duram milênios. Mexeu com dogmas, sempre intocáveis. Questionou a infalibilidade religiosa. Derrubou estereótipos. Reabilitou os bodes-expiatórios. Abriu caminho para revisões que podem mudar teologias, filosofias, ideologias e civilizações.

E, não obstante, depois de lidos os jornais, vistos e ouvidos os noticiários matinais daquela sexta-feira (7/4), o mundo cristão não foi para a rua: não se registraram tumultos, linchamentos, quebra-quebras por causa das conclusões extraídas do Evangelho de Judas, onde aquele que encarnava a traição reaparece como o preferido de Jesus de Nazaré.

Católicos, luteranos e cristãos-ortodoxos não se manifestaram e certamente não se manifestarão tão cedo. As religiões, todas as religiões, jamais se submetem às evidências científicas. Existem e subsistem na esfera do inquestionável. Mas alguma coisa moveu-se no implacável esquema que fez de Ihudá (Judas), Iscariotes (Isch-Karioth) o Vilão Absoluto e concentrou nos judeus (Iehudim) todas as vilanias da humanidade.

Aparato midiático

Apesar do rigor científico empregado para a datação, restauração, tradução e exegese do precioso documento há um lado midiático que não deve ser esquecido na sua divulgação pela National Geographic Society.

O anúncio ocorreu dias antes da Semana Santa, quando a mídia impregnada de fervor religioso relembra os últimos momentos de Jesus Cristo, sua Paixão e Ressurreição. Melhor clima não poderia haver para receber e fazer ressoar a comunicação.

Dois dias depois, no domingo (9/4), às 22 horas (horário brasileiro), o National Geographic Channel exibiu um docu-drama (documentário com partes interpretadas por atores) intitulado O Evangelho Proibido de Judas , com duas horas de duração e onde se mesclam reconstituições históricas, investigação científica e longos depoimentos do grupo de sábios envolvidos na extraordinária façanha de converter aqueles papiros esfarelados num dos documentos mais palpitantes da civilização dita ocidental.

Apesar da escolha da data e do aparato midiático (fartamente anunciado nos jornais de sábado, domingo e semanários), o documentário está à altura do seu teor e remete o missionarismo de Mel Gibson e as fantasias de Dan Brown ao plano da pura ficção.

Raízes espirituais

Como lembrou Carlos Heitor Cony ( Folha de S.Paulo , segunda-feira, 10/4), são antigas as hipóteses para reabilitar Judas Iscariotes. Um estudioso brasileiro, o general Danilo Nunes, produziu Judas, Traidor ou Traído? (Record, 1968), best-seller que ultrapassou nosso idioma, credenciado por um sólido levantamento bibliográfico que remonta ao século 19.

A espetacular e espetaculosa revelação do Evangelho Segundo Judas não é uma iniciativa anti-religiosa, ao contrário: vai ao âmago das devoções cristãs ao relacionar-se com os demais evangelhos censurados pela Igreja (Tomás, Felipe etc.) encontrados nos anos 1940 em Nag Hammadi (Egito) e os Manuscritos do Mar Morto descobertos uma década depois, em Israel.

Ao revelar as raízes espirituais do cristianismo primitivo, suas relações com os essênios e certas doutrinas esotéricas, fica em segundo plano a questão do "Jesus Histórico". Combinada à história a religião não é diminuída – ao contrário, valida-se.

[Texto fechado às 19h30 de 10/4]”
Fonte: Observatório da Imprensa – 10/04/06
Meujornal – 13/04/06

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Dia Internacional da Menina e do Machão

Mario Persona

“Acabei de instituir. Vem antes do dia Internacional da Mulher porque para que uma mulher seja mulher ela precisa ser menina. Se não for menina, não continuará sendo mulher. E o machão, onde entra? Em lugar nenhum. Ele sai...”, porque hoje o dia é dela, e ele odeia isso.

Sabe como eu sei que mulheres são meninas? Porque observei uma.

Que idade tinha? Cavalheiros jamais se lembram da idade, só a data de aniversário. Vi quando pegou uma Barbie esquecida num sofá. O que fez? Deu uma arrumadinha nos cabelos da boneca. Meninas de todas as idades continuam fazendo assim. Continuam sendo meninas, mulheres e mães.

Como foi Ruth Handler, que só inventou a Barbie porque viu a filha Barbara brincando com bonecas adultas de papel. "Menina quer ser mulher", pensou ela com seu lado menina antes de colonizar o mundo com mais de um bilhão de bonecas que mulheres de todas as cores, idades e tamanhos continuaram pegando e arrumando os cabelos.

Enquanto as feministas arrancavam os seus.

Barbie foi o protótipo do sonho de modelo que existe em cada menina. Ao contrário do que os machões pensam sobre modelos - profissão que virou resposta-padrão de algumas belas sem profissão - mulheres podem ser lindas e inteligentes como a austríaca Hedwig

Eva Maria Kiesler. Não sabe quem é? Nome artístico Hedy Lamarr.

Ainda não? Aquela atriz de Hollywood que faz tocar seu celular. Não se lembra da Dalila do épico de Cecil B. DeMille? Não, você deve ser mais novo. Então deve ter visto a embalagem do CorelDraw 8. É a cara dela.

Pois é, foi atuando em Hollywood durante a 2ª Guerra que ela inventou um sistema de alteração contínua das freqüências de rádio para guiar torpedos e evitar a interceptação pelo inimigo. A tecnologia é hoje utilizada nas bombas inteligentes e em ligações via celular, inteligentes ou não. Hedy Lamarr era inteligente o suficiente para saber ser bela:

"Qualquer garota pode ser glamorosa. Basta ficar imóvel e parecer burra." - disse ela.

Infelizmente é o que algumas fazem, belas ou não. Gastam a vida imóveis e inúteis, como limpador de pára-brisa quebrado em dia de chuva. Por sinal, também inventado por uma mulher, Mary Anderson.

Você, machão, que acha que mulher é sinônimo de burrice, experimente dirigir na chuva sem limpador. Você teria inventado?

Sei... e colocado do lado de dentro do pára-brisa, não é? Só para responder com uma piada tão velha quanto aquela que você gosta de contar.

Isso, aquela da loira que usou Liquid Paper na tela do computador.

Você conta como se soubesse o que é Liquid Paper, não é machão?
Quem sabe escrever conhece. Idéia de uma mulher, Bessie Nesmith, secretária que inventou e ofereceu aos homens de gravata preta e camisa branca da IBM de seu tempo - que acharam a coisa inútil - vendendo depois os direitos para a Gillette por 47,5 milhões de dólares. Tudo isso enquanto machões e meninas imóveis faziam pose por aí. Depois dessa vai ter machão querendo me matar.

Vou andar de colete à prova de balas feito de Kevlar, material inventado por

Stephanie Louise Kwolek.

As mulheres inventaram também outras coisas para a alegria dos homens. Eu disse 'outras coisas', machão. Para os que gostam de ajudar a mulher com o bebê - você nunca fez isso, não é machão? - mas se atrapalham com as dobras da fralda e o alfinete de segurança, Marion Donovan inventou a fralda descartável. E para quem quer manter distância da pia da cozinha, e geralmente consegue por causa da barriga, Josephine Cochran inventou a máquina de lavar louças. Viva a mulher!

Acho que vou parar por aqui. Em minhas pesquisas encontrei outras invenções femininas na química, física e biologia, mas é melhor não arriscar comentar pois não entendi direito. Talvez por ser homem.

Mas acho que já deu para mostrar minha admiração pelas mulheres e também o que acho dos Rambos que existem por aí, que humilham e espancam. Só no Brasil, a cada minuto quatro Rambos provam no rosto de uma mulher que sabem dar patadas.

Houaiss define "machão" como "aquele que tem coragem, que é capaz de enfrentar qualquer empreendimento difícil e perigoso; valentão diz-se de ou homem agressivamente viril, que se mostra excessivamente orgulhoso de sua condição masculina". O que o Rambo não sabe é que, no campo de batalha, o brado mais comum na boca dos bravos moribundos é "Mamãe!".”
Mario Persona (com permissão de) www.mariopersona.com.br -08/03-06 -
Palestrante, consultor e autor de Marketing Tutti-Frutti e Marketing de Gente.
MeuJornal – 26/03/06
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Histórias de vida
As lições paternas

Aprendi com meu pai – 54 pessoas bem-sucedidas contam a lição mais importante que receberam de seu pai, de Luís Colombini, 256 pp., Editora Versar, São Paulo, 2006; R$ 34,90 [do release da editora]

Qual foi a lição mais importante que você aprendeu com seu pai? Essa pergunta foi respondida por 54 pessoas de sucesso, entre artistas, cantores, atores, músicos, empresários, executivos, publicitários, jornalistas e diretores de cinema. São grandes nomes como Paulo Autran, Zezé Di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo, Cássio Gabus Mendes, Mauricio de Sousa, Lígia Cortez (filha de Raul Cortez), Nuno Cobra, Alice Carta, Nelson Motta, William Bonner, Walcyr Carrasco, Vilfredo Schürmann, Alberto Saraiva (fundador do Habib´s), Antonio Maciel (presidente da Ford), Roberto Lima (presidente da Vivo), Roberto Dualibi (presidente da agência de publicidade DPZ), Fabio Fernandes (F/Nazca) e Fernando Terni (presidente da Nokia), entre outros.

O resultado é um livro de memórias, ou de histórias, das 54 celebridades que aceitaram revelar cenas inéditas de seu passado, às vezes com bom humor, às vezes emocionados, sempre com uma franqueza desconcertante. Num mundo cada vez mais complicado, Aprendi com meu pai fornece um farto material de reflexão e de orientação na relação entre pais e filhos.

Sobre o autor

Jornalista há 17 anos, Luís Colombini trabalhou em revistas como Veja, Você s.a., Viagem e Turismo e Forbes. Criou e dirigiu também a Seu Sucesso, especializada em negócios. Hoje se dedica a livros.

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TRECHO

Mauricio de Sousa, o criador da Turma da Mônica

Minha avó investiu para que o filho tivesse seu ofício. Montou um salão caprichado, em estilo art decô, com espelhos de cristal, luminárias francesas e mármore italiano. Barbeiro por profissão, Antonio Mauricio de Souza, com Z mesmo, meu pai, aparava barba, cabelo e bigode mas não tirava prazer do salão. Ali, com tesoura e navalha, só fazia dinheiro.

Nas horas vagas, ganhava o que seu coração mandava. Era então poeta, músico, escritor, desenhista, pintor, radialista, jornalista, ghostwriter de políticos e fazendeiros e ainda me levava ao cinema todas as noites da semana – sábado não, que era dia de festa. Dos meus seis anos em diante, era Tom Mix hoje, Humphrey Bogart amanhã, depois Gene Kelly e Fellini, num tempo em que filme não tinha censura de idade, entrasse quem quisesse e entendesse o que desse.

Foi Petronilha Araújo de Souza, minha mãe, comigo ao colo e meu pai ao lado, quem me mostrou o mundo. Apresentou-me casas e ruas, rios e montanhas, piqueniques, procissões e carnavais. Mas foi meu pai quem me ensinou o que eu podia fazer com o mundo. Ele me construiu - sugerindo, incentivando, interagindo, me introduzindo em todas as suas artes, seu jeito de ser e a liberdade de deixar ser o que quiser. O resultado é que a grande lição que recebi dele é um mosaico de cenas grudadas no painel da infância.

Ele me mostrou a música que mais tarde me levou a ser cantor de rádio. Uma vez por mês, meu pai e seus amigos seresteiros se reuniam na casa funerária que ficava na esquina de casa, em Mogi das Cruzes. Entre flores e caixões, passavam a noite com chorinhos e sucessos da Rádio Nacional. Meu pai me mostrava os instrumentos e seus sons, a maneira de tocar. Acertava o diapasão e pedia para eu cantar em Si depois em Lá. Ali na funerária perdi o medo de soltar a voz e também de caixão – e como queria que mais meninos e meninas perdessem medo de assombração, anos mais tarde criei o Penadinho, fantasma boa praça que não assusta ninguém.

Também uma vez por mês, havia outra reunião, a dos poetas. Eu ficava ali, rodeado de parnasianos declamando dores de cotovelo. Ai, como aquilo era chato. De poesia, o que eu gostava era do caderno de capa dura, preta, no qual meu pai escrevia versos com sua letra desenhada. Certa vez ele saiu, eu peguei o caderno e desenhei, ilustrei as poesias dele. Quando voltou, papai viu minha obra na obra dele e, em vez de brigar, saiu para comprar mais caderno. "Olha, este aqui é o seu caderno, desenha aqui, não no meu", disse, explicando, jamais implicando. Meu pai nunca brigou comigo por nada que eu experimentasse ou tentasse.

Ele às vezes também fazia suas traquinagens. Morávamos numa casa pequena, quarto, sala, cozinha, banheiro. Um dia perguntei como é que tinha de desenhar para, numa paisagem, uma montanha parecer perto e a outra longe. Ele pegou lápis de cor e, na parede da sala, rabiscou a moldura de um quadro. Pintou ali uma cadeia de montanhas, uma aula de perspectiva na parede branca da sala, para desespero de minha mãe.

Mamãe às vezes ralhava com as manias do marido. Quando voltávamos do cinema e ela sabia que o filme tinha coisa de adulto, dizia: "Mas, Antonio, não é para criança ver, o menino não entende, deixe crescer primeiro". No dia seguinte, lá íamos nós de novo, os dois companheiros, mesmo que eu, de fato, não compreendesse muita coisa.
Mas também não era como mamãe pensava, pois onde adulto podia ver pecado eu só enxergava graça e esquisitice – a mesma esquisitice que achei no dia que encontrei uns desenhos estranhos de homens e mulheres sem roupa numa gaveta do meu pai. Só muitos anos mais tarde é que fui desconfiar que Antonio de Souza, além de montanhas na parede, também desenhava seus catecismos de sacanagem.

Nos anos 40 e 50, educadores desaconselhavam gibis (não só os de pornografia), diziam que revistinha incitava violência e crime. Nisso, meu pai e minha mãe concordavam: esse papo era bobagem. O consenso permitiu que um gibi aparecesse despreocupadamente em casa. Curioso, folheei, encantado com os desenhos. Meu pai me viu entretido, perguntou se tinha gostado, disse que sim. A partir daí, toda quarta, sexta e domingo à noite, quando eu já estava deitado, ele entrava no meu quarto e, da porta, jogava em cima da cama os gibis que o Roberto Marinho publicava. Nascia ali o meu futuro.

Cresci. Meu primeiro emprego foi meu pai quem arranjou, no jornal Mogi Esportivo, no qual eu desenhava símbolos dos clubes e caricaturas de jogador. Como bico, fazia anúncios e cartazes para o comércio. Papai já havia me ensinado um pouco de pintura, mas não me dei bem com tinta a óleo nem com pincel, muito mole para o meu gosto. Meu negócio era pena e lápis.

Mas ele insistia que eu deveria aprender com pincel. Um dia encontrei um modo de combinar meu jeito com a vontade dele: coloquei algodão na ponta da pena, criando uma espécie de pincel firme - algo que, soube depois, Monet fez para criar o efeito diáfano do Impressionismo. Desse modo, desenhei os anúncios e também pintei, já nos anos 90, a série de quadros que mistura telas famosas com os personagens da turma, como o Mônica Lisa, paródia da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

Quando meu pai percebeu que eu poderia mesmo ganhar a vida com desenho, me deu a mais prática das lições. "Filho, não adianta fazer coisa bonita se não aprender a cobrar", disse. Pediu então a um amigo, o italiano Bruno, corretor de anúncio de rádio, que me contratasse como auxiliar de cobrança. "Quanto custam esses seus cartazes?", Bruno perguntou. Não sabia. "Então são 50 cruzeiros", ele definiu. A partir daí, eu desenhava, entregava, esperava uns dias e, morrendo de medo, ia cobrar – e eles pagavam! Maravilhado, descobri a chave para transformar desenho em dinheiro.

Mais tarde, por cinco anos, fui repórter policial da Folha da Manhã. Em 1959, criei os primeiros personagens da turma, Bidu e Franjinha. Foi por volta dessa época que meu pai me deu a última de suas grandes lições. Começou a conversa com uma franqueza desconcertante.

"Nunca me realizei totalmente", disse o homem que, como todo homem, também tinha suas imperfeições. Impacientava-se, por exemplo, com quem não acompanhava seu raciocínio. Tinha dificuldade em aceitar críticas, justo ele que as fazia sem medir palavras. Numa sala no fundo da barbearia, ele mantinha sua tipografia particular, na qual publicava jornais com críticas duras ao governo. Mais de uma vez, sua tipografia foi empastelada pela polícia. Mais de uma vez, a família, - pai, mãe, eu, minhas duas irmãs, Marisa e Maura, e meu irmão, Marcio – tivemos de deixar a cidade para que meu pai não fosse preso.

Pois então. Naquela conversa, meu pai, apesar de ter sido muita coisa, até diretor de rádio e sócio de indústria, dizia-se frustrado. Baseado na sua experiência, ele foi direto ao ponto: "Não seja apenas um artista. Não fique na mão dos outros, trate também de administrar o seu negócio".

Antes de morrer, aos 65 anos, meu pai ainda trabalharia comigo, vendendo minhas tiras a jornais do interior. Nessa época, além de meu mestre, ele foi também meu embaixador.”
Fonte: Observatorio da Imprensa - 15/03/06
MeuJornal – 18/03/06

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João Martins, não à Utopia

João Martins é capixaba de Muniz Freire, viveu a juventude em
Cachoeiro de Itapemirim, aparenta 30 anos, já viveu uns 90, alguns afirmam que anda pelos 50.

Com doutorado em autodidatismo, Joãozinho, como é amplamente conhecido, foi bancário - Banco do Brasil - e diretor do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo. Exerceu correto mandato de deputado estadual (87 a 90) pelo PcdoB, partido no qual militou por 20 anos.

Atualmente sem filiação partidária e servidor público, João Martins, pés firmes no chão e olhar atento ao céu - é astrônomo amador - estréia em MeuJornal com as linhas abaixo, onde discorre sobre Utopia.

O que MeuJornal publica foi extraído de um original com 11 páginas
A4 em corpo 12 no Word.

Ao telefone, estilo locutor de jóquei, fala João Martins:

- Ah, Dino,essetextoaíeufizjogorápidocoisadeummês.

Graaaaaande Joaãozinho.
Dino Gracio - MJ
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UTOPIA

“Chamou-a utopia , palavra grega cujo significado é não existe tal lugar”. (Quevedo – citado no conto de Jorge Luis Borges
“Utopia de um Homem que está cansado”)

João Martins

“Há quatrocentos anos foi editada uma das maiores obras-primas da literatura mundial. A primeira parte apareceu em 1605 e a segunda em 16l5. O autor, alistado nas tropas pontifícias para lutar contra os turcos, perdera a mão esquerda na batalha de Lepanto. Quando viajava de retorno a Espanha, em 1575, o navio em que vinha foi assaltado pelos turcos, fazendo-o prisioneiro por cinco anos na Argélia . Foi libertado após os mouros terem recebido uma grande quantia pelo resgate, arrecadado junto a toda família, fidalgos e padres compadecidos, já que seu pai não tinha posse para tanto.

Para sobreviver o escritor aceitou o cargo de Comissário Real de Abastecimento da Invencível Armada, sendo nomeado mais adiante Coletor de Impostos , quando fora acusado injustamente de desvios de verbas. Nessa situação, Miguel de Cervantes Saavedra foi levado à prisão de Sevilha onde deu curso a sua grande obra Dom Quixote de La Mancha.

O livro “marca o início do romance moderno e é um dos sólidos pilares da literatura universal”. Pesquisa realizada pela Unesco coloca D. Quixote como o segundo livro mais lido da história da humanidade, atrás apenas da Bíblia.

Cervantes contrapõe “um mundo real e prosaico a um mundo imaginário”. Para ele, o “real e o poético são antinomias”.

São dois personagens centrais: Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura , magro, desossado e “ sonhador alucinado ” e Sancho Pança , seu escudeiro, gordo e “ colado à realidade ”.

A cena mais conhecida que vem a nossa lembrança é a dos moinhos de vento . Ao avistar cerca de trinta ou quarenta dos moinhos, toma-os por “ desaforados gigantes ”, que precisam ser banidos, pois “ bom serviço fez a Deus quem tira má raça da face da terra ”. Investindo contra os moinhos “ em fera e desigual batalha ” se estropia todo.

Mas é ao se depararem com homens condenados a servir o rei nas galés pela força é que se revela o espírito de Quixote: “o cumprimento de meu ofício é desfazer violências e dar socorro e auxílio aos miseráveis”.

O infatigável e apaixonado Quixote tinha como amada Dulcinéia de Toboso, “ uma rude camponesa ”, que se transformava em uma formosa donzela aos olhos do enlouquecido enamorado. O verdadeiro nome da paixão do Cavaleiro da Triste Figura era Aldonça Lourenço .

A obra se sustenta no tempo devido: “ a perenidade dos grandes valores humanos: o desejo de justiça, o amor, a amizade e o eterno debate sobre loucura e razão ”.

Na quinta edição do Fórum Social Mundial, 2005, o debate mais concorrido foi sobre o tema a “ Utopia em D. Quixote ”, tendo como palestrantes, entre outros, o prêmio Nobel de Literatura José Sarmago e o escritor Eduardo Galeano .

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Sabiamente, Saramago, ao dissertar sobre o tema “Utopia em D. Quixote, após ouvir pacientemente Luiz Dulci e Eduardo Galeano, no “Fórum Social Mundial ”, versão 2005, inicia sua fala da seguinte maneira:

Tenho uma má notícia para lhes dar. A má notícia que tenho a vos dar é que eu não sou utopista. E a pior notícia ainda é que considero a utopia, ou conceito de utopia, não só inútil como também tão negativo como a idéia de que, quando morrermos, todos, vamos ao paraíso.”

E acrescenta “ ... o discurso sobre a utopia é o discurso sobre o
não-existente. Toda gente sabe que a utopia é um lugar que está em um lugar qualquer e que, portanto, não se sabe, não
se conhece o destino, também não se sabe o caminho para lá chegar. Também não se saberá quando”. É simplesmente o nada, o desconhecível.

A humanidade nos revelou, entre tantos outros, três grandes homens que combateram com vigor e cientificidade o obscurantismo, as seitas, as fantasias, o irreal e a alienação, que foram Karl Marx, Friedrich Engels e Lênin.

Sempre nos aconselharam a atuar no terreno da realidade.
Nada de utopia, essa palavra medieval, que deve ser riscada do vocabulário revolucionário.
Ademais, o socialismo virou fato concreto com o advento da primeira pátria socialista do mundo a União Soviética, a experiência travada por 1/3 da humanidade e hoje com o prosseguimento em países como a China, o Vietnam e Cuba.

Portanto, nós sabemos onde queremos chegar, o que construir e com que classe contar. “
João Martins, cidadão do mundo - 14/11/05 (remessa)

MeuJornal – 19/11/05
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O estado de natureza no referendo do desarmamento

Ludmila Gonçalves Martins

"A análise a seguir é resultado de uma amostragem sobre as motivações pessoais expostas nas cédulas distribuídas no debate sobre o referendo do desarmamento ocorrido no dia 17 de outubro de 2005, evento organizado pelos alunos do 4º período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes): Gláucia da Silva Costa, Ludmila Gonçalves Martins, Patrícia Pereira Gonring e Robson Vieira da Silva. Dos 92% dos votos válidos o “Sim” obteve 54% contra 38% do “Não”,
sendo 8% de votos nulos e em branco.

Da discussão sobre as motivações que levaram as pessoas a escolherem uma das frentes de campanha do desarmamento, como proposto na simulação, o argumento mais propagado por ambos os lados foi o papel do Estado na resolução do problema da violência.

Neste sentido, a doutrina clássica parece comportar a explicação para tal resultado, quando se evoca a questão do estado de natureza e a sua explicação através dos direitos naturais da propriedade e da liberdade pelos contratualistas Locke e Rousseau.

Para Locke, o estado de natureza é uma abstração teórica, cuja característica é de relativa paz e harmonia, porém não sendo este isento de inconvenientes como, por exemplo, a violação da propriedade. Para superar os inconvenientes do estado de natureza, no pensamento lockiano, é função do Estado preservar a liberdade e não interferir na propriedade, sendo o indivíduo mentor da sua vida.

E, este é um dos argumentos mais fortes do “Não”, que faz sua campanha voltada à preservação do direito à legítima defesa do cidadão; e, de acordo com a explicação do voto para esta frente, a mais recorrente foi a de que o Estado está falido e não consegue garantir a segurança pública.

Rousseau, por sua vez, defendia que depois dos homens terem firmado o pacto social, perdiam a liberdade natural em troca da civil. Mas ao contrário de Locke, no pensamento rousseauniano, no processo de legitimação do pacto, os homens se submetem à vontade geral e não a de um indivíduo.

Segundo aqueles que votaram no ‘Sim” ao desarmamento, o Estado deve ser o único detentor dos meios de punição com o fim máximo de garantir a segurança pública em geral, pois ter uma arma não implica segurança.

Ainda se utilizando de Rousseau, este autor trabalha na perspectiva de que o homem nasce bom e o que o corrompe é a posse da propriedade, avaliando esta como a origem da desigualdade.

Neste caso, tanto os que votaram na frente favorável quanto na contrária, argumentaram na possibilidade de haver um aumento na desigualdade social; pois, os que argumentaram pelo “Sim” alegaram que se a compra de arma continuar legalizada, somente a classe dominante será capaz de tê-la e a mesma será usada na defesa de seus privilégios. Já os que defendem o “Não”, argumentam da possível ampliação da desigualdade social amparada na necessidade do aumento em segurança privada.

Assim, tais argumentos revelam as falhas na divulgação do Estatuto do Desarmamento e, portanto, o desconhecimento do mesmo por parte de algumas pessoas desta amostra da população que participou da simulação, uma vez que a norma para o porte legal de arma é extremamente rígida.

Outra face do discurso dos votantes das frentes adversárias se fixa na questão do direito, enquanto a frente do “Não” declara o direito à legítima defesa do cidadão “de bem”, com base de este poder ter a opção de comprar ou não uma arma; a frente do “Sim” assume o direito à vida, salientando que a arma evoca um caráter violento no indivíduo, gerando neste cidadão “de bem” a pretensão, quando de posse da mesma, a matar outrem em situação de conflito.

No mais, a discussão permeia dois fatos relevantes: o que se pretende ao referendar ou não o desarmamento da sociedade civil é a possibilidade de mudança do “status quo” da violência ou essa é apenas uma medida paliativa para encobrir a ineficiência do Estado na resolução do problema da violência, tornando o cidadão “de bem” refém da mesma?

Dessa forma, seja qual for o resultado deste referendo, o ganho social está na possibilidade de a sociedade civil estar discutindo e podendo interferir de maneira direta num assunto polêmico da pauta constitucional brasileira. "

Ludmila Gonçalves Martins é aluna do 4º período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). E-mail: ludmilamail@gmail.com Texto remetido por Ludmila Gonçalves Martins, estudante, em 20/10/05
MeuJornal - 20/10/05
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Garotas de programa
As mulheres que a mídia destaca

"Em tempos de culto às celebridades, prostitutas conseguem até simpatia social ao assumir publicamente o que fazem." É com este subtítulo que a matéria "De Geni para Tieta" (O Estado de S. Paulo, 9/10) fala de três jovens brasileiras que ganham a vida se prostituindo. E assumindo publicamente o que fazem.

Segundo o jornal, elas aparecem em programas de televisão, têm destaque na internet e até merecem perfil em revistas. Uma delas, segundo o jornal, "já falou para Época, Vip, Sexy e Vogue e seu diário virtual virou tema de reportagem em revistas e cadernos de informática".

As três meninas bem-sucedidas, a ponto de merecerem matéria de página inteira em edição de domingo (uma excelente maneira de divulgar o trabalho e conseguir novos contatos), sorriem para foto, dão seu recado e deixam de fazer parte do mundo marginal que só merece destaque na mídia quando a polícia faz seu trabalho – as famosas batidas de rua com prisão de menores exploradas sexualmente.

Podemos acusar a imprensa de errar ao fazer esse tipo de matéria? Não, porque se é notícia, tem que ser publicada. O erro é glamourizar esse comportamento que, no dizer de qualquer feminista, prejudica a imagem das mulheres e atrapalha a luta por igualdade. O erro é colocar, até com uma ponta de admiração, o fato de essas moças ganharem até 15 mil reais por mês, por certo bem mais do que o salário da autora da reportagem.

Perda do senso crítico

Nesse mundo ideal retratado pela imprensa, tudo parece cor-de-rosa. Até o namorado de Bruna, um ex-cliente, definido como pessoa de maneiras educadas, discurso articulado, usando terno e gravata – Pedro da Bruna, como já é chamado na web –, conta que "se apaixonou por ela assim que a conheceu melhor". Há dois meses mudou para o flat onde ela mora e recebe os clientes. É esse namorado, que se Bruna fosse prostituta das ruas seria chamado de cafetão, quem diz: "Não tenho ciúmes do trabalho dela. Pelo contrário, tenho orgulho de tudo o que ela fez. Bruna virou um marco ao resolver aparecer em público. Querer tirá-la dessa vida agora seria uma prova de preconceito meu".

É o caso de perguntar: se os jornais evitam noticiar suicídios (porque poderia ser considerado um incentivo a outros potenciais suicidas), o tratamento com a prostituição não deveria ser o mesmo? Ao mostrar o "sucesso" de jovens interioranas que saem de casa e vão para os grandes centros se prostituir, a imprensa não estaria mostrando o caminho para outras jovens que sonham em ganhar muito dinheiro e, mais remotamente, com a celebridade?

"A sociedade cultua a celebridade independente do que ela faz. Essa garotas acabam reconhecidas não pelo que elas fazem, mas porque estão famosas", diz a psiquiatra Carmita Abdo ao jornal. O que a psiquiatra não disse é que a mídia tem um papel fundamental nesse culto às celebridades que ela mesma ajuda a criar e divulgar. Na disputa por leitores e espectadores, a mídia perde o senso crítico e vira apenas divulgadora de gente famosa, dando destaque até a atividades que, em outros tempos, seriam motivo de execração pública.

Matéria palatável

Se a desculpa da imprensa para falar da prostituição é registrar um comportamento, deveria, ao menos, aprofundar a discussão, falando mais dos "efeitos colaterais" da atividade. Em momento algum da reportagem é discutido o fato de essas moças fazerem parte dos grupos de alto risco das doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a Aids. E nem o jornal, nem a mídia como um todo, gastam páginas, como aconteceu com a matéria sobre as garotas de programa, para discutir a situação das mulheres que trabalham e que têm que se conformar com salários miseráveis, quando comparados aos 15 mil mensais da agora famosa Bruna.

Pesquisa do Sesi, divulgada em 9/10 – e ignorada pela imprensa – revela:

"Dos 29,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 40% são mulheres. Entre elas, está o melhor nível de instrução. No universo de analfabetos, as mulheres não chegam a 20% e, entre as pessoas com curso superior completo, são maioria (55,9%). Ainda assim, seus salários são inferiores aos dos homens. Dos trabalhadores com renda superior a dez salários mínimos, apenas 32% são do sexo feminino".

Pensando bem, que manchete fariam os jornais com informações desse tipo? Diriam que as mulheres ganham menos do que os homens? Como fazer uma matéria palatável ao grande público discutindo assuntos árduos e que só interessam aos estudiosos e às mulheres, vítimas do preconceito? É muito mais fácil mostrar fotos de mocinhas bonitas e sorridentes que conseguiram "vencer" na carreira. Mesmo que seja uma carreira de que poucas mulheres se orgulham. "
Ligia Martins de Almeida, jornalista - Fonte: Observatório da Imprensa – 12/10/05
MeuJornal - 12/ 10/05
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Recriação da vida

“No último domingo, chuvoso e inusitadamente frio para a véspera de primavera, passei lendo poesia. Mais especificamente, dediquei-me à leitura de livros de Carlos Drummond de Andrade. Não se tratou de nenhuma pesquisa para novo trabalho e nem de preparação para fazer alguma preleção na Academia Campinense de Letras ou em alguma escola, para estudantes. Não havia qualquer obrigatoriedade. Foi por puro prazer.

Li para saborear palavras bem selecionadas e habilmente manejadas, como se saboreia um delicioso banquete. A casa estava silenciosa, sem visitas e sem a presença dos filhos, cada um à cata do seu lazer preferido. Meu time do coração, a Ponte Preta, não jogou nesse dia. Quem jogou foi a Seleção Brasileira, que se classificou, com um pé nas costas, para a Copa do Mundo da Alemanha, no ano que vem, com uma goleada de 5 a 0 sobre o Chile. Mas o jogo foi em Brasília e somente no final da tarde. Contava, como se vê, com disponibilidade de tempo, para ser preenchido com o que melhor me aprouvesse. E foi o que me aprouve.

Além de ser poeta (possivelmente medíocre), gosto de ler poesia. Em parte como uma espécie de exercício jornalístico. O saudoso jornalista Cláudio Abramo recomendava aos editores, para adquirir o necessário domínio vocabular e o senso de precisão exigidos em uma edição, especialmente na titulação de matérias, que tivessem essa espécie de leitura. Que lessem versos, principalmente para desenvolver o ritmo. A princípio pensei que se tratasse de brincadeira do mestre. Mas fiz a experiência. E, como sempre, ele tinha razão. Mas não é só por isso que gosto de ler poesias.

Leio os grandes poetas sobretudo por prazer. Especialmente quando se trata de Carlos Drummond de Andrade, de quem tenho todos os livros que publicou, além de vastíssima coleção de crônicas de quando escrevia para o "Jornal da Tarde" e outros jornais, de outras partes do País, cujos textos publicados me foram gentilmente enviados por amigos. Tenho uma infinidade deles. No domingo pude fazer, portanto, essa jornada sentimental, esquadrinhando minhas emoções mais íntimas.

Há um jeito muito especial de ler poesia. É um processo de recriação. A cada nova leitura, encontramos significados diferentes nos versos. Descobrimos novas nuances, que antes não havíamos vislumbrado. Saboreamos cada metáfora, como se fosse um delicioso e novo quitute. E quem disse que não são? Nunca o significado é o mesmo. É como se lêssemos um poema diferente, embora seja o mesmo lido às vezes dezenas de vezes.

Pablo Neruda, em "A Palavra", constata em certo trecho: "...Vocábulos amados./Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho./Persigo algumas palavras./São tão belas que quero colocá -las todas em meu poema./Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como gatas, como azeitonas./E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as/Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda./Tudo está na palavra..."

É verdade. Nas mãos de artesãos hábeis, esta frágil matéria-prima, que aparentemente dá tão poucos recursos ao artista, permite a construção de mundos nos quais gostaríamos de aportar e viver para sempre, longe da fria e feia realidade do cotidiano.

Veja o leitor como o poeta enxerga o aparentemente trivial, nestes versos de Drummond, do poema "Família": "Três meninos e duas meninas,/sendo uma ainda de colo./A cozinheira preta, a copeira mulata,/o papagaio, o gato, o cachorro,/as galinhas gordas no palmo de horta/e a mulher que trata de tudo.//A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,/o cigarro, o trabalho, a reza,/a goiabada na sobremesa de domingo,/o palito nos dentes contentes,/o gramofone rouco toda a noite/e a mulher que trata de tudo.//O agiota, o leiteiro, o turco,/o médico uma vez por mês,/o bilhete todas as semanas/branco! mas a esperança sempre verde./A mulher que trata de tudo/e a felicidade".

Pois é, Drummond pintou nada mais que o retrato da vida de cada um de nós, com uma diferença aqui, outra ali, mas que é basicamente assim. Essa mesma que nos abate o corpo e angustia o espírito. Essa, eivada de problemas, cujas dimensões costumamos ampliar. Essa, repleta de frustrações, que não resistem à mais simples das análises. Essa que na essência é a matéria-prima do nosso trabalho jornalístico.

Falta-nos, no cotidiano, a visão do poeta. Carecemos do filtro da arte, que de acordo com o compositor Claude Debussy, "é a mais bela das mentiras", mas que nos permite enxergar que a felicidade que procuramos alhures, está onde sempre esteve: ali, conosco, debaixo do nosso nariz, sem que sejamos capazes de a ver.”
Pedro J. Bondaczuk, jornalista e escritor – Comunique-se – 09/09/05
MeuJornal – 10/09/05
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Távola Ramos valoriza a arete em Nhenhenhém

Nhenhenhém é livro de Távola Ramos que chega à segunda edição, de 10.000 exemplares, apenas cerca de um ano após seu lançamento.

Ao longo de 85 páginas de crônicas e poemas Távola Ramos - pseudônimo de ativo líder comunitário capixaba e autoridade em informática - privilegia a arete, “ um atributo da excelência humana, a beleza de caráter que orienta a práxis (a ação cotidiana) humana para o bem, é enfim a unidade suprema de todas as excelências”.

Nas últimas páginas da obra, Távola Ramos colocou um longo e belo poema sobre os amigos, dissertando sobre praticamente todos os tipos possíveis de amizades que alguém pode encontrar.

Embora sem autorização – epa! - do autor ou da editora (Usina de Letras - Editora Nacional), MeuJornal reproduz a parte final do belíssimo Amigos:

- Amigos.../Que me perdoem os auto-suficientes/E os que não precisam de ninguém,/E os que se amam demais, não são carentes/E os que se tratam sempre muito bem/Que me perdoem os mais coerentes/Mas a felicidade que eu procuro/Minha felicidade de além-muro/Está no outro que me completa:/E cada amigo é a pessoa certa/de que eu preciso pra ser feliz../Que me perdoem os bem resolvidos/E os que vivem pros seus umbigos:/Eu gosto mesmo é dos meus amigos.

MeuJornal declara aberta a temporada de busca e encontro com o Nhenhenhém.
Dino Gracio – MeuJornal – 23-07-05
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Células-tronco, biossegurança e bioética

Um dos assuntos mais controversos dentro do atual debate sobre biossegurança, a manipulação de células-tronco desperta o receio de alguns setores e estudiosos de uma ameaça à ética biológica. Até que ponto as pesquisas podem, de fato, ajudar no tratamento e na prevenção de doenças e até que ponto esbarram nos limites – necessários – da bioética?

Os cientistas acreditam que a utilização de células-tronco na medicina representa a possibilidade de melhorar o tratamento e até mesmo a prevenção e a cura de algumas doenças, como o mal de Parkinson, o câncer e problemas cardíacos sérios. Pesquisas demonstram que as células-tronco têm a capacidade de se transformar em qualquer outra célula do corpo humano e, por isso, podem ajudar na reconstituição de alguns tecidos danificados.

O tema, entretanto, causa polêmica em diversos países. Recentemente, nos dias 12 e 13 de junho, um referendo sobre reprodução assistida e pesquisa em células-tronco levou a população a se posicionar em relação ao assunto na Itália. A consulta à população foi precedida de vários debates de caráter ideológico na imprensa italiana, mas, com a pressão da Igreja Católica, o resultado do referendo manteve as rígidas leis do país sobre a fertilização assistida.

Respaldo do governo

No Brasil, a manipulação genética de embriões já é uma realidade com respaldo oficial. O governo federal inicia até agosto o financiamento das primeiras pesquisas no Brasil com células-tronco embrionárias. Serão R$ 11 milhões oferecidos pelo governo para o desenvolvimento de novos estudos com embriões. A oferta dos recursos, feita por meio de editais de concorrência pública dos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, destina-se também a financiar estudos com células-tronco derivadas da medula óssea, de cordão umbilical e de outros tecidos.

As primeiras pesquisas deverão ter início em agosto e terão de ser desenvolvidas em até um ano. Para distribuição dos recursos e escolha dos centros que receberão o financiamento, serão observados critérios socioeconômicos. No mínimo 30% das verbas serão destinadas a regiões menos desenvolvidas do país, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Angélica Pontes, coordenadora de biotecnologia do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério de Saúde, ressalta que, antes da utilização para fins terapêuticos, os estudos com células-tronco deverão cumprir diversas etapas: pesquisa básica (in vitro), pesquisa pré-clínica (em animais de laboratório) e pesquisa clínica (em seres humanos) – essa última em caráter ainda experimental. “Todas essas etapas são sujeitas aos aspectos éticos e legais, e a aplicabilidade da terapêutica dependerá dos resultados obtidos nas pesquisas”, garante.

Os resultados esperados são: avanços no conhecimento em relação aos princípios fundamentais da terapia celular; comprovação do potencial das células-tronco para o tratamento de doenças diversas; melhoria no conhecimento dos sistemas biológicos e, ainda, prevenção, detecção e/ou tratamento de doenças; otimização e maximização do uso da infra-estrutura de pesquisa já instalada no país em torno de temas relevantes para a área da medicina e ampliação da competência humana em áreas específicas e afins, por meio da formação de pessoal especializado.

Uso de embriões

A utilização de células-tronco de embriões in vitro nas pesquisas brasileiras foi permitida com a aprovação, em março, do Projeto de Lei 2.401/2003 – conhecido como PL de Biossegurança – pela Câmara dos Deputados, com algumas restrições: só poderão ser utilizados embriões doados com o consentimento dos genitores e que sejam inviáveis para implantação no corpo humano ou estejam congelados há pelo menos três anos, prazo após o qual não podem mais ser usados para fertilização. A lei proíbe ainda o comércio desses embriões, a manipulação genética e as clonagens humana e terapêutica.

Na opinião da bióloga Marlene Boccatto, doutora em genética e especialista em bioética, o uso das células-tronco que não serão utilizadas na fertilização assistida é um grande avanço para as pesquisas e as terapias. “Visto que essas células seriam inutilizadas, por que não proporcionar a cura, ou pelo menos uma esperança de cura, para diversos tipos de doenças? Sem contar com o desenvolvimento das pesquisas em diferentes áreas.”

Para muitos, no entanto, as restrições impostas pela lei não são suficientes para esgotar o debate ético em torno do assunto. No final de maio, o procurador-geral da República, Claudio Fonteles protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o artigo da Lei de Biossegurança que permite pesquisas com células-tronco embrionárias congeladas por pelo menos três anos. Na ação, Fonteles alegou que há vida a partir da fecundação e que realizar experiências com embriões desrespeita as garantias constitucionais de inviolabilidade ao direito à vida e de dignidade humana.

De acordo com o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Odilo Pedro Scherer, os limites estabelecidos pela Lei de Biossegurança quanto à pesquisa com embriões humanos não asseguram o respeito à vida do embrião. “Para obter células-tronco embrionárias humanas, é necessário matar o embrião. Não importa se ele é produzido in vitro e se está congelado há mais de três anos: continua sendo um ser humano. E se é assim, sua vida deve ser respeitada. Por esse motivo, a CNBB considera que a lei que libera o uso de embriões humanos para a pesquisa com células-tronco embrionárias é inaceitável, além de ser contrária à Constituição, onde se prevê a proteção da vida humana desde a sua concepção. O fato de o Congresso ter aprovado essa lei não a torna boa”, critica Dom Odilo.

Dom Odilo teme ainda que a lei aprovada acabe desencadeando a produção de embriões para fins de pesquisa. “Quem controla as clínicas de fertilização in vitro? O ser humano vai virar mercadoria. Já é um sério problema constatar que há ‘estoque' de embriões por aí”, alerta. Marlene Boccatto ressalta que quando se fala em células-tronco imediatamente se discute sobre o início da vida. “Tanto em termos científicos como religiosos, não é possível chegar a um consenso, e eu defendo a discussão não da vida biológica, mas da vida com dignidade. Além disso, devemos pensar que, os pré-embriões já existentes serão eliminados de qualquer maneira, então por que não utilizá-los para curar ou salvar uma vida?”

Pesquisas com células-tronco adultas já têm sido realizadas no Brasil com o apoio governamental – e, ao contrário das pesquisas com células-tronco embrionárias, com a aprovação de diversos setores. A etapa clínica do maior estudo no mundo com células-tronco adultas para tratamento de cardiopatias teve início neste mês, também com o apoio do Ministério da Saúde. Serão investidos R$ 13 milhões para o tratamento de 1,2 mil pacientes com problemas do coração. Se for comprovada a efetividade do uso das células-tronco no tratamento de doenças cardíacas, isso pode significar uma redução de cerca R$ 37 milhões por mês nos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS).

O secretário geral da CNBB defende as pesquisas com células-tronco adultas, tiradas do cordão umbilical e de outras partes do corpo. Quanto a estas não há contra-indicações éticas, segundo ele.

Informação e riscos

O debate sobre manipulação genética de embriões inclui ainda a possibilidade de se abrir caminho para a clonagem reprodutiva. Autora de livros sobre genética humana e bioética, a médica Fátima Oliveira vê como avanço a aprovação da Lei de Biossegurança, mas defende que é necessário impor, sem fundamentalismos, limites à ciência em respeito às gerações futuras. “Exigir ética na ciência é parte da luta pelos direitos humanos; o que não é monopólio de posturas retrógradas e anticiência”, ressalta.

Fátima enfatiza ainda a necessidade de ampliar e aprofundar essa discussão na sociedade. No livro “Bioética: uma face da cidadania”, afirma que “é um crime contra a humanidade a atitude de negar à sociedade, em especial à nossa juventude, a oportunidade de acesso ao saber e às reflexões bioéticas, sobretudo quando se reconhece que o mundo passa por profundas transformações. É uma questão ética fundamental o dever que os governos têm de abastecer seus cidadãos com informações necessárias, para que assim possam exercer o direito de saber e a responsabilidade de decidir. Sem informação a sociedade não tem como realizar o controle social e ético sobre os novos saberes e poderes das biociências”.

O conhecimento do assunto pela população, concorda Marlene Boccatto, é fator fundamental para definir os rumos das pesquisas. “A base para evitar quaisquer riscos, científicos ou não, é a conscientização e a ação da sociedade sobre qualquer área”.
Mariana Loiola - Fonte: Revista do Terceiro Setor – 24/06/05
MeuJornal – 25/06/05
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O luxo explica a miséria
A Daslu vista da favela

"O repórter Fred Melo Paiva passou uma semana na favela Funchal, conjunto de barracos vizinhos à nova sede da loja Daslu, o mais reluzente templo do consumo de luxo na América Latina. Com imagens dos fotógrafos Vidal Cavalcanti e Evelson de Freitas, ele produziu no domingo (12/6), para o caderno "Aliás," do Estado de S.Paulo, um retrato magistral do Brasil que a imprensa não costuma enxergar.

Com criatividade e o corajoso respaldo de seu editor, Fred dá voz a moradores da favela e coloca o dedo na hipocrisia e na babação que a mídia até então vinha devotando ao imenso caixote de concreto erguido junto à Marginal do Rio Pinheiros, onde um casaco pode valer mais do que um barraco de dois andares na comunidade vizinha.

"Caríssima Eliana, se a senhora subir no heliporto da Daslu, vai ver a gente aí de cima. Ó nóis aqui, ó!", rasga a manchete, diluída em linha-fina e seguindo, como numa carta, na qual os favelados entrevistados pelo jornalista convidam a empresária a conhecer um pouco da vida que se passa ali, entre barracos e vielas enlameadas.

Fred não tem complacência. O dono do boteco, o vigia de carros, a jovem traficante, ex-miss Penitenciária cuja libertação recente é festejada com churrasco de capa de filé, todos desfilam seus depoimentos na linguagem coloquial que ele registrou e reproduz, cuja leitura remete imediatamente a um país que não se lê nos jornais.

"Se precisar..."

O que se havia dito da Daslu, até então, era pouco mais do que o provinciano desfile de admirações sobre o valor do empreendimento, a relação das grifes, a influência da proprietária, Eliana Tranchesi, no mercado internacional da alta moda. Vista da favela, a loja de luxo parece exatamente o que é: um acinte diante das desigualdades sociais do país, que a imprensa tem preferido ver pelas lentes frias das estatísticas.

Ao dar voz aos favelados, Fred Paiva de certa forma resgata uma qualidade perdida do jornalismo que Gabriel García Márquez tenta resgatar junto a seus pupilos da Fundação para o Novo Jornalismo Ibero-americano – a capacidade de contar histórias pela palavra dos seus protagonistas, e não pelo viés do jornalista.

O que vaza do texto é o olhar dos moradores, sua visão quase ofendida de um luxo que quase explica a miséria em que vivem. Um a um desfilam, como nas passarelas da moda, os dramas dos excluídos.

Pelo menos quarenta deles trabalharam na construção daquele palácio do consumismo. Terminou a obra, acabou trabalho. Mas o texto não revela ressentimentos. Refere-se de passagem ao fato de a filha do governador de São Paulo ter um emprego na loja e faz pensar em relações incestuosas com o poder. E transcorre até o fim como principiou: o repórter passeia pelas vielas, mostra a faixa na qual se conta que a renda mensal de toda a comunidade não dá para comprar um vestido na Daslu e encerra renovando o convite dos favelados à empresária:
"Se precisar de alguma coisa, tamo aqui embaixo".
Luciano Martins Costa, Jornalista - Observatório da Imprensa – 15/06/05
MeuJornal - 15/06/05
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“Ufólogos têm encontro com Força Aérea Brasileira

Num encontro inédito entre ufólogos a Força Aérea Brasileira (FAB), os militares reconheceram que Ufologia é coisa séria e merece atenção. O encontro ocorreu no fim de maio em Brasília, como resultado da campanha civil UFOs: Liberdade de Informação Já, conduzida pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), através da Revista UFO.

UFO é a única publicação brasileira especializada em Ufologia, uma verdadeira referência na área há 21 anos. Ela circula em todo o país e Portugal e está por trás dos maiores acontecimentos da Ufologia nacional. A revista é produzida mensalmente pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), uma das maiores
ONG dedicadas à Ufologia do mundo, aberta ao público.

Visite o site da Revista UFO e acesse gratuitamente o maior acervo de Ufologia em língua portuguesa da atualidade. Você terá a sua disposição artigos, debates, opiniões, teses, estudos, fotos, vídeos e uma infinidade de recursos multimídia. Além de documentos oficiais que comprovam a atuação dos militares brasileiros na questão dos discos voadores.

Um centro de pesquisas aberto ao público.

Se você quiser se engajar na investigação científica dos UFOs, ingresse no Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV) e faça parte da comunidade ufológica nacional. Você terá acesso a eventos em todo o país, a produtos ufológicos de qualidade com descontos e a uma identificação em forma de carteira plástica, como um cartão de crédito.

Agora que a Ufologia está devidamente reconhecida por nossas autoridades, esta é a oportunidade de você conhecer tudo sobre o impressionante mistério dos discos voadores e seus tripulantes em missão na Terra. Leia a Revista UFO e filie-se ao CBPDV.”
Fonte - Revista UFO - 04/06/05
MeuJornal - 05/06/05
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Yvon de Araújo Yung-Tay e seu sonho com Jesus Cristo

Nota do Editor:
Conheci Yvon de Araújo Yung-Tay há cerca de um mês, quando ele tomava as últimas providências para apresentar, num seminário, trabalho dele sobre geração de energia elétrica através do movimento das ondas do mar - é sério.
Propus a Yvon publicar o tema do seu trabalho em MeuJornal mas não tive resposta.

Sexta, 27, encontrei mais uma vez o Yvon que olhou calmo e firme para mim e disse:

-Tive um sonho com Jesus Cristo e escrevi isso. Se o senhor achar bom, pode publicar em seu jornal (MeuJornal).
Dois amigos meus, próximos, não entenderam nada.

MeuJornal publica - a primeira parte - do artigo do Yvon.
Dino Gracio

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“Sonhei com nosso Senhor Jesus Cristo, que alertou novamente a humanidade, mandando descruzarmos imediatamente os braços enquanto é dia. Porque, se não o fizermos enquanto é dia, depois vem a noite e poderá ser tarde demais: “O sol poderá escurecer; a lua poderá não dar a sua luz, e nós poderemos não encontrar mais outra morada na casa do Nosso Pai Celestial”. Pois ninguém deve ficar escanchado em cima do muro – só chamando Senhor, Senhor, da boca para fora – assistindo de camarote ao circo pegar fogo.

Ele relembrou que já nos deu exemplo, já nos ensinou e já nos ordenou, para que façamos como Ele fez, pois “Ninguém pode servir a dois senhores; ou há de ODIAR a um e amar o outro, ou se devotará a um e DESPREZARÁ o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Jesus Cristo quer que contra-ataquemos, com unhas e dentes e com o máximo de prioridade e de urgência, o maldito retrocesso do pecado original da MÁ DISTRIBUIÇÃO E DA CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA (provocado pela mutação genética usurária que aconteceu na marcha evolutiva do Homo habilis, durante o período Paleolítico ou da Idade da Pedra Lascada, que foi de 600 mil a 10 mil a.C.) , em que o humano começou a privatizar a pureza do ar, da água e da terra, delimitando a liberdade das crianças, dos jovens, dos adultos e dos idosos, de irem e virem a qualquer hora, para ser alimentarem com o suor do próprio rosto. Porque esse retrocesso da ânsia exagerada de ganho, segundo a Arqueologia Pré-histórica, tem induzido a EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM, desde o passado remoto, quando começou a inventar o instrumento de caça, pesca e guerra; a utilizar o fogo; a dominar, a delimitar e a se apropriar de áreas mais ricas em caça e pesca,etc.

Como enfatizou Jesus, só há uma maneira de a humanidade acelerar o seu aperfeiçoamento genético, consertando o retrocesso evolutivo da sua ambição exagerada, que é através da transformação e da modificação dos genes e neurônios como a mente das criancinhas (“Em verdade, vos declaro, se não vos transformardes e não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus”). E veja que: “Não vem o Reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: ei-lo aqui! Ou lá está! Porque o Reino de Deus está dentro de vós”.

O que Jesus Cristo quer, é que não se perca mais tempo, e se lute, acima de tudo, pela evolução do aperfeiçoamento psicossocial dos que buscam o Bem. Portanto, como enfatiza Nosso Senhor Jesus Cristo: “Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder um só de teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena. Se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só de teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena. Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não podeis suportar agora. Mas, quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade”.

A única saída é deixarmos a hipocrisia e/ou a covardia de lado, e fazermos como Ele exemplificou, com um chicote de corda na mão, contra-atacando e desmascarando o centro político-religioso e financeiro de Jerusalém (o que equivale, atualmente, no sentido figurado, ao centro ideológico do G/7 e das principais Corporações Multinacionais, que impõem desumanamente o pagamento das escorchantes dívidas interna e externa); condenando ao fogo do inferno, preparado para o demônio e os seus anjos, os oportunistas e tapeadores, que sobrecarregam o povo com cagas insuportáveis de transportar e nem com a ponta de um dedo o ajudam; condenando os desalmados doutores da lei, que tomaram a chave da ciência, e eles mesmos não entraram, e impediram aos que vinham para entrar; e mandando cortar e jogar no fogo do inferno toda árvore que não dá bom fruto, para que não continue com a corrupção, impunidade, violência, etc. “
(Continua em próxima edição)
Yvon de Araújo Yung-Tay (27-05-05) - Professor de História e autor dos livros Jesuísmo (25,00) - Resenha Referencial do Jesuísmo (15,00) e o Cartaz Colorido da Revolução de Jesus Cristo (5,00)
obrasà venda no SINDIUPES - Rua Wilson Freitas, nº 196 – Centro
- Vitória/ES – Fone: (27) 3223-2400

MeuJornal (29-05-05)
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A Globo pouco conhecida
“TV globo, 40 anos. Nada a comemorar.”

"Na terça-feira 26/4 a Rede Globo de Televisão comemorou 40 anos de vida. Muita gente graúda da elite cultural e política do país aproveitou a ocasião para mostrar a "imensa" gratidão do Brasil com a emissora que – entendem eles – expressa como ninguém esse contraditório e tropical país. Mas nós não comemoramos. Pelo contrário, usamos a data para lembrar, protestar e expor à sociedade que a Rede Globo não é apenas o rosto bonito do Rodrigo Santoro ou a simpatia da Suzana Vieira.

Em vários lugares do Brasil, capitais e no interior, a sociedade civil organizada preparou atos públicos para contestar a "versão oficial da história" – uma versão que foi construída pela própria emissora aniversariante. Porque, após 40 anos, é preciso que alguém diga, para que todos saibam, que a Rede Globo não é uma empresa cuja marca é a produção de um jornalismo isento e imparcial, o qual se materializa no Jornal Nacional da Fátima Bernardes e do William Bonner.

Muito menos é um grupo que – como eles próprios reivindicam – defende o conteúdo brasileiro do perigo estrangeiro. A Globo é, acima de tudo, uma organização política, que atua nos bastidores dos governos brasileiros (sejam eles democráticos ou ditatoriais) em busca de garantir a execução de seus interesses. E que, não uma ou outra, mas muitas vezes, jogou contra a vontade da maioria da população para garantir o seu quinhão.

A edição do debate entre Collor e Lula veiculada no Jornal Nacional dias antes da eleição de 89 (que apresentava os bons momentos do alagoano e os maus do hoje presidente da República) e a total omissão da emissora diante das mobilizações pelas Diretas Já em 1984 (chegando a afirmar que o histórico comício pró-diretas no Vale do Anhangabaú era uma comemoração do aniversário de São Paulo) são bons exemplos desta prática.

Como a lua

As empresas que fazem parte do grupo Globo constituem um pequeno império na mídia brasileira. Atualmente a Vênus Platinada chega a mais de 99,8% do território e da população brasileiros. São ao todo cinco emissoras próprias (com sede nas cidades de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife) e mais 108 emissoras afiliadas. Dados do Ibope revelam que na semana de 4/4 a 10/4 a Globo teve os cinco programas mais assistidos da TV aberta, com audiência variando entre 35% e 47%.

Hoje o grupo possui emissoras de TV, jornais que geraram de receita líquida, em 2002, de 159,5 milhões de reais, 15 emissoras de rádio, participação nos grupos de televisão por assinatura Net e Sky, uma editora com 11 títulos de revistas, um portal eletrônico e duas gravadoras (Som Livre e RGE). No caso de sua atuação na TV a cabo, o grupo detém canais (Sportv 1 e 2, GNT, Multishow, Globo News, os 5 Telecines, Universal, Canal Brasil e Futura) e a operadora Net. Todo este complexo vem sendo usado também pelo grupo para oferecer outros serviços, como internet de banda larga (o novo serviço Vírtua).

A Globo é como a lua. Possui uma face brilhante. Essa que invade nossas casas noite e dia e que gera fascínio e admiração. Mas possui uma outra face, obscura, que pouca gente conhece. E é justamente aí que mora o perigo. A Rede Globo de Televisão, surgida há 40 anos de um golpe econômico internacional orquestrado pelo seu proprietário Roberto Marinho e pelo governo militar que assombrou o Brasil por duas décadas, é a materialização da elite mais atroz que domina essas terras há 500 anos.
Na época, a emissora recebeu um apoio considerável da empresa de mídia estadunidense Time, ação que era proibida pela legislação, mas que foi permitida pelos militares com o intuito de consolidar uma rede nacional de televisão que levasse aos lares do Oiapoque ao Chuí a "identidade cultural brasileira", principalmente aquela que valorizava a ditadura.

Normas caducas

Uma elite capaz, extremamente preparada (para usar um termo costumeiramente adotado pelos defensores do neoliberalismo), que se sente responsável, inclusive, por determinar simbolicamente o que foi o nosso passado, o que é o nosso presente e o que será o nosso futuro. Nesses protestos, denunciamos a Rede Globo de Televisão como o principal instrumento dessa elite – os donos do poder – composta por políticos e empresários que atuam nacionalmente ou regionalmente – as chamadas oligarquias (muitas delas proprietárias de empresas de comunicação que fazem parte do sistema global).

Quando a Constituição Federal foi aprovada em 1988, o presidente da República era José Sarney, que – ora vejam só! – vem a ser a ser justamente um empresário de comunicação controlador da afiliada da Globo no Maranhão. O ministro das Comunicações, por sua vez, era Antonio Carlos Magalhães, "dono" da Globo baiana. Não à toa, todas as tentativas de democratizar o sistema de comunicações brasileiro avançaram quase nada.

É justamente por esse motivo que, em entrevista recente, o todo-poderoso da emissora, Roberto Irineu Marinho, afirmou que a legislação de comunicações no Brasil é "espetacular". Irineu se refere a uma legislação que foi aprovada na década de 60, pelos militares que comandavam o Brasil. Além de caducas, se levarmos em consideração as mudanças tecnológicas e políticas pelas quais passou o país nos últimos 40 anos (e que a Globo, em spots na programação, diz ter acompanhado), as normas que regulam a radiodifusão no Brasil foram feitas para garantir a perpetuação dos grandes meios.

Na gaveta

Um exemplo é o fato de serem necessários votos de 3/5 dos parlamentares do Congresso para não renovar uma concessão. Este dispositivo garante que haja renovação praticamente automática e que pareça, para a maioria da população, que a Globo está aí há 40 anos porque é dona do canal. Na verdade, ela recebe uma concessão pública para utilização do espectro eletromagnético onde passam as ondas que possibilitam a chegada do conteúdo emitido pelas antenas das emissoras de TV aos lares da população. Mas a dificuldade de alterar a "eternidade" das concessões não se dá apenas pela exigência de quórum alto.

Atualmente, do total de 81 senadores, 36% estão diretamente ligados a veículos de comunicação – 14 dos 17 senadores do PFL; 11 dos 23 senadores do PMDB; 8 dos 11 senadores do PSDB. Muitos deles, com negócios diretamente envolvendo a Rede Globo. Na Câmara dos Deputados, o cenário não é muito diferente. Essa verdadeira tropa de choque, que envolve políticos de todos os matizes ideológicos, é sustentáculo dos interesses da família Marinho no parlamento brasileiro e torna quase impossível a mudança na propriedade dos canais abertos da TV brasileira, principalmente da Globo.

É evidente, portanto, que, com essa correlação de forças, projetos como o PL 256 de 1991, da autoria da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que trata da regionalização da programação cultural, artística e jornalística das emissoras, permaneça na gaveta, acumulando mofo. Para quem acha que esse texto é um tanto quanto exagerado, convidamos a fazer uma visita ao Conselho de Comunicação Social (órgão que "assessora" os senadores quando o assunto é comunicação). Lá, poderão ver em ação os lobistas e o presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), uma entidade criada para defender institucionalmente os interesses dos Marinho, que se destaca pela cruel perseguição que faz às rádios comunitárias.

Muito a protestar

Quando o CCS aprovou um requerimento favorável ao projeto de regionalização da deputada Feghali, os representantes da Globo garantiram que usariam de todos os artifícios para impedir que ele tramitasse e fosse aprovado, numa clara demonstração de que a emissora não abandonou as práticas ditatoriais. São as mesmas de 40 anos atrás. Esse tipo de postura, no entanto, não fica restrito aos bastidores. Muito do que é discutido e definido politicamente pela emissora é depois trabalhado "jornalisticamente" e exibido ao público.

Um caso recente é o do projeto da Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), proposto pelo Ministério da Cultura. Como se tratava de um projeto que pretendia democratizar a produção de conteúdo audiovisual, e que, por isso mesmo, contrariava alguns interesses (nem todos) da Rede Globo, foi achincalhado em longas matérias nos telejornais do grupo, nos jornais do grupo, nas rádios do grupo. Paralelamente a isso, a tropa de choque no Congresso, os lobistas e a infantaria circulavam por dentro do governo ameaçando e coagindo os autores da proposta.

Queriam implodir o projeto. E conseguiram. Mas não conseguiram evitar que o debate permanecesse, e agora, com a discussão do Projeto de Lei Geral de Comunicação de Massa, o embate vai recomeçar. É por esses e outros motivos que voltamos a reafirmar que não temos nada para comemorar na data em que a Globo comemora 40 anos.
Temos muito a questionar, muito a protestar, porque queremos uma comunicação mais democrática no Brasil. E isso só vai ocorrer quando a face obscura do monopólio dos Marinho vier à tona e quando a comunicação for encarada como um direito de todos e todas.
Rodrigo Savazoni e Jonas Valente
, integrantes do Intervozes – Coletivo Brasil de
Comunicação Social– Fonte:
Observatório da Imprensa – 04/05/05
MeuJornal: 05/05/05
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Enquanto seu lobo não vem
aumenta prestígio literário de Beatriz Abaurre

Lançado 27 de abril, terça, na Assembléia Legislativa, Enquanto seu lobo não vem, de Beatriz Abaurre, é livro de contos de refinada qualidade.

Por muitos anos violinista e violista da orquestra Filarmônica do Espírto Santo, Beatriz já tem lugar garantido entre os bons nomes da literatura capixaba com a autoria de livros infantis e infanto-juvenis, ensaios e crônicas.

Enquanto seu lobo não vem é dividido em três partes – Terra vermelha, O sol na minha pele e Colhidos pela Correnteza e reúne 28 contos, escritos em épocas diferentes e com foco na vida da autora.

Enquanto as duas primeiras partes do livro têm maior foco autobiográfico, a terceira apresenta a escritora em bem sucedidas incursões nos estilos policial, místico e fantástico.

Enquanto seu lobo não vem, de Beatriz Abaurre, é uma boa leitura.

Ei, D. Beatriz, manda um livro pro MeuJornal ! O que eu lí foi emprestado !
Dino Gracio – Meu Jornal ( 29/04/05)
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Força para
Amor das Minhas Vidas

Em 12-4-05, terça, MeuJornal recebeu a mensagem:

“Boa tarde, sou escritora e acabei de escrever meu primeiro romance.
Estou buscando divulgá-lo na esperança de despertar o interesse de alguma editora ou patrocinador para minha obra.

No Brasil, infelizmente, existe muita dificuldade para os novos autores conseguirem editar suas obras.
Gostaria de sugerir uma matéria falando desse assunto.
Segue abaixo a sinopse de meu livro.
Muito obrigada pela atenção e apoio.

Rose Elizabeth T. de Mello Comenho
rscomenho@uol.com.br

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Resumo da Obra – Amor das Minhas Vidas

Autora: Rose Mello

“Rosana é uma executiva bem sucedida, que ocupa um cargo importante na filial em São Paulo de uma multinacional da área de informática. Bonita, jovem e rica, sempre foi muito prática e racional, conduzindo tudo ao seu redor com planejamento e organização.”

Rosana é uma executiva bem sucedida, que ocupa um cargo importante na filial em São Paulo de uma multinacional da área de informática. Bonita, jovem e rica, sempre foi muito prática e racional, conduzindo tudo ao seu redor com planejamento e organização.

Profissionalmente havia conquistado o sucesso, que se estendia também à sua vida pessoal. Filha única de um casal de fazendeiros, possuía laços fortes de amor e respeito com seus pais.

Era querida pelos amigos e mantinha uma relação estável com Roberto, seu namorado, um médico que era completamente apaixonado por ela.

Sua vida era cercada de harmonia e tranqüilidade.

Até que um dia, um grande temporal atinge a cidade, e acaba colocando Rosana diante de um homem com o poder de abalar toda sua sólida estrutura construída ao longo dos anos. Um encontro surreal, que tira Rosana de seu eixo e faz com que sua vida jamais volte a ser a mesma. As circunstâncias desse momento são inacreditáveis e levam Rosana a colocar em dúvida sua própria sanidade mental.

A partir desse dia ela terá que se defrontar com seus valores mais profundos, como também, aceitar e enfrentar seus medos e reconhecer sua fragilidade diante da vida. Seu cepticismo cairá por terra, deixando-a sem condições de negar os fatos.

Em meio ao turbilhão de acontecimentos que envolverão seu cotidiano, contará sempre com o apoio de Fernanda, sua colega de trabalho, grande amiga e confidente.

Juntas viverão momentos divertidos de felicidade quase infantil, e situações onde a força de ambas será fundamental para superar a dor.

Fernanda namora Gilberto, um professor de educação física com temperamento reservado e enigmático, que surpreenderá a todos que com ele convivem.

Diante dos desafios impostos pela situação, Rosana descobrirá existir dentro dela uma personalidade até então desconhecida esperando apenas o momento certo para se revelar.

Aprenderá sobre o amor verdadeiro, sobre a fé, coragem e resignação.
E seu maior duelo será para sobreviver à si mesma.”
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É isso aí, força para o livro da Rose e de todos os que partem para a duríssima batalha de publicar uma obra nesse país de Clodivis.

E quando ficar pronto, Rose, mande um exemplar – autografado, por favor – para o acervo de MeuJornal, que só perde para os da Biblioteca de Washington
e a do Vaticano :>)

Dino Gracio – MeuJornal (16-04-05)
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"Retirantes de barro

Parecia ser apenas mais uma fila de retirantes. As cabeças estavam curvadas e a poeira do chão parecia ser o visual eterno. De caras suadas. Sujas. Eles se despediam daquele lugar, reclamado pelo diabo para si, com passadas pesadas e levando no rosto uma expressão de decepção. Impotência.

Logo eles que por décadas, séculos, estiveram no centro do pensamento daqueles povos. No auge dos seus andores. No céu dos seus altares. Humildes como seus devotos. Profeticamente calados. Mas sempre repletos de toda a glória emanada nos sacrifícios daquela gente e nas suas orações diárias. Eles estavam de partida.

Partiam porque era uma tarefa árdua demais. Depois de dedicarem suas vidas terrenas a uma causa maior. Tinham que dedicar suas vidas celestes a uma causa ainda mais superior. Ser referência e depositários da fé alheia. Logo eles que só receberam homenagens e uma relação de infindáveis pedidos das suas ovelhas.

Parecia que o transpor para a santidade não os tinha acrescentado nenhum privilégio especial. Um dom supremo capaz de aliviar o sofrimento daqueles rostos marcados pela dor. De provocar um sorriso naquelas crianças de olhos adultos e distantes. Delicados. Como o próprio barro do qual eles eram feitos.

Modestamente, o que é da essência de suas vidas, perceberam que os voluntários que vinham para o sertão nordestino com suas dicas sobre saúde e suas rações mágicas que afastavam os demônios da desnutrição, tornaram-se mais eficientes do que as procissões. As rezas.

Também concluíram não serem capazes de lutar contra a indústria da fome. Contra os fabricantes de miseráveis. Não! Eles não tinham poder para tanto. Claro, não estavam filiados a nenhum partido e a nenhuma corporação, apesar de serem admirados por ambos. Cultuados.

Então decidiram partir. Quem sabe para uma cidade maior. Cheia de oportunidades. Com igrejas luxuosas. Fiéis alegres e de rostos corados. Onde as desgraças do mundo não fossem jogadas sobre seus ombros. Nem as esperanças."
Fábio Santana, escritor (20-11-04)
MeuJornal (28-01-05)

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"O mascote

1991. Quatorze anos. Época do tal segundo grau. E você parece ter
apenas dez. Estuda em um colégio diferente. Só existem homens. Pessoas que, estando no segundo grau, possuem a púbis repleta de pêlos e já perderam a virgindade.

As brincadeiras que rolam são as mais violentas possíveis, tudo
para provar a masculinidade de cada um numa idade auge da
“aborrescência”.Tudo envolto na mais pura testosterona à flor da pele.
Ser homem é ter pentelhos e ser forte, é subjugar o colega mais
fraco a base da porrada por motivos tão fúteis quanto uma discussão a respeito de um lanche.

Você está longe de ser este modelo de jovem. É mais baixo, muito
mais magro, fraco fisicamente. È medroso. Foi jogado lá, órfão de mãe, com o
saco mais liso que acrílico. Mas você tem, na pureza e inocência de seus
atos, algo que pode tornar-se mágico e cativante. Pergunta para um daqueles trogloditas: “Você quer ser meu amigo?”

Pronto. Este simples gesto contagia qualquer um. A palavra crua de um inocente. Um ingênuo que sente-se mais seguro ao poder abraçar amigavelmente um cara mais forte. Sente-se melhor ainda quando vê este ídolo adolescente protegendo-o de todos os males a que está sujeito naquela idade e naquele ambiente, onde auto-afirmação era anseio de todos e impulsionadora de toda e qualquer ação.

Não tarda para este pequeno menino cair nas graças da turma inteira.
Apesar da aparência mirrada, interage como poucos com o resto da turma. Tem o papo em dia, acompanhando e seguindo as tendências e novidades da
juventude. Porém, quando o assunto é sexo ele se retrai, mas ninguém força a barra. Os amigos entendem que não devem apressar as coisas e que aquele garoto terá sua hora certa para a iniciação sexual.

Eta garoto sortudo! Confiar seus temores a pessoas desconhecidas e
não chafurdar por isso. Sim. Não chafurdar. Pois os tais brutamontes de
sacos peludos eram de boa alma. Adotaram o pequeno e tornaram-no o mascote da turma, literalmente.

Erguiam-no, como um troféu, em bagunças na sala de aula, sustentando-o
ao alto numa das cadeiras da classe, dando voltas e mais
voltas por entre as mesas, enquanto nosso pequeno sorria fulguralmente,
acenando para outros estudantes que podia observar através das janelas,
durante o horário do recreio.

Era poupado das brincadeiras violentas, mas seus companheiros não o poupavam das sessões de cócegas na mesa do professor. Para nosso pequeno jovem isso era o máximo.  

O clímax era ser jogado na sala da quinta série. Um garoto do segundo grau jogado na sala das crianças de vozes finas. E a meninada gritava:
“Teu lugar é aqui! Você fugiu do ginásio!” Glória para nosso mascote!"

Ser ovacionado por seres do seu tamanho que estavam a seis anos de distância atrás dele.
Acordar às quatro da manhã, antes mesmo do astro-rei que rege o dia,
entrar sonolento no ônibus escolar, totalmente desanimado por ter que estar
de pé antes do Sol, até lembrar que passaria por momentos tão bons no dia
que começava. Encostava a cabeça na janela e dormia, sonhando estar, mais
uma vez, no topo do mundo, naquela cadeira...

Bons momentos aqueles. Inocência pura. O amanhecer era realmente
belo. Quem daria valor a isso? As pipas no céu do Rio de Janeiro eram
deslumbrantes. Aprender matemática com um professor cheio de tiques nervosos e cacoetes, tido carinhosamente como louco e que chamava todo e qualquer aluno de Cornélio, além de relinchar e desferir coices no ar quando alguém não conseguia resolver suas equações que ocupavam a lousa inteira. Ver o que acontecia no Brasil em 1800. Descobrir que homem é “xy” e mulher é “xx”.

Perceber que aquele velho barbudo, que aparecia em fotografias com a língua
de fora, escrevera “E=mc2” não por acaso, mas por genialidade. E, com tudo
isso, começar a ver um mundo se descortinando. Um mundo diferente do de seus amigos bárbaros. Um mundo repleto de falsidade e hipocrisia. A partir daí nosso mascote deixaria de ser o mesmo. Teria que mudar e, por mais que
resistisse, a mudança viria. Mesmo não querendo, o mundo se encarregaria
disso.

Considere um hiato de pouco mais de dez anos e ouça quem vos
escreve. Este mascote sou eu, com pêlos no saco, barba por fazer, não mais
virgem, longe de ser inocente, vivendo neste mundo cão, com saudades de meus amigos trogloditas, peludos e tão ingênuos quanto eu.

Tudo que sinto agora é vontade de chorar.
Mas homens sacudos não choram! É verdade.
Quem disse que sou um homem sacudo?

Eu sou o mascote! Com muito orgulho! E choro, cerrando os olhos, com as mãos na cabeça, tapando os ouvidos e me curvando como um feto, na esperança de que, ao abrir os olhos, meus amigos trogloditas e puros me acalentem, me afaguem e me levantem numa cadeira escolar, rumo a um céu intangível.
Guilherme Louzada Guimarães, militar (08-01-05)
MeuJornal (09-01-05)
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Drummond
Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

Fonte: Jornal de Poesia (31-12-04)
Meu\jornal (31-12-04)
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Outra história
Apoio do Bandes a patrimônios culturais capixabas

Fonte de MeuJornal no Bandes, banco de fomento capixaba, corrige nota
de A Gazeta/ES (27-12-04) quanto ao trecho “Pela primeira vez na sua história, o Bandes investiu numa ação de preservação e revitalização de patrimônio cultural, como o Museu de Arte do Espírito Santo...”

Respeitado técnico da instituição enviou mensagem a MeuJornal dizendo de algumas outras ações - que rapidamente conseguiu levantar - a respeito do assunto.

“Seguem mais algumas contribuições do Bandes para preservação da memória arquitetônica e cultural de nosso estado:

1- 1984 - Restauração total do Teatro Carlos Gomes, "que ameaçava ruir em face da absoluta carência de recursos  do Departamento Estadual de Cultura para fazer a manutenção e as reformas necessárias" - conforme relatório da época (presidência de Antônio Caldas Brito). Ao dólar médio de 1984, o Bandes aplicou no TCG em torno de US$90 mil, hoje, cerca de R$ 250.000,00
(duzentos e cinquenta mil reais);

2- 1993 (presidência de João Luiz de Menezes Tovar) - Nova reforma e modernização (com o projeto de climatização) do Teatro Carlos Gomes.

3- 1987/1991 (presidência de Odilon Borges) - Serviços de restauração do Santuário Padre Anchieta, em parceria com o SPHAN;

4- Serviços de restauração do Convento da Penha (entre 1990 e 1991), em parceria com o DEC, Banestes, CVRD, Garoto, Prov. Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil;

5- Restauração dos Quadros do mestre Benedito Calixto, do Convento da Penha, em parceria com o DEC,

6- Serviços de restauração da Igreja do Rosário, em Vila Velha , em parceria com o DEC;

7- Serviços de restauração da FAFI, em parceria com a PMV, Flexibrás, Albaquímica, Camilo Cola, Inbrac, Olvesa e Brasflex;

8- Serviços de restauração da Igreja N.S. da Ajuda, em Araçatiba (Viana), em parceria com a PMViana;

9 - Pavimentação e drenagem do acesso ao Museu Solar Monjardim, em parceria com o SPHAN;

O Bandes também apoiou a restauração do Museu do Colono, em Santa Leopoldina , mas não tive tempo hábil para localizar maiores dados a respeito.”

Então, fica o registro. Histórico.
Dino Gracio - MeuJornal (27-12-04)
Fonte: Bandes (off) (27-12-04)

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Mídias alternativas
MeuJornal ficou na mesa

Quinta, 2/12, como parte das comemorações do 1º aniversário do Forninho, aconteceu mesa-redonda na Assembléia Legislativa.
O objetivo do evento foi fazer com que representantes de meios de comunicação, entidades artísticas e sociedade tivessem oportunidade de refletir a interação do artista com os meios de comunicação tradicionais e alternativos.

Se não foi grande o público, expôs, entretanto, colocações que levam à reflexão como a fraquíssima ou direcionadíssima cobertura dos grandes veículos a eventos e que não refletem com a desejada força as realizações culturais do Espírito Santo.

Nesse aspecto, em vários momentos foi criticada a tímida atuação da TVES, que não contou com participação - apesar de convite e confirmação de presença - de representante no acontecimento.

Dino Gracio, editor de MeuJornal, participou da mesa-redonda, transmitida pela TV Assembléia.

Os temas do evento:

O Artista Capixaba na Mídia e
Experiências de Mídias Alternativas e o Artista Capixaba
.

MeuJornal parabeniza a Fábio Santana, criador do Forninho - 1 ano de existência - e à sua equipe, pela realização da mesa-redonda.

Um enorme esforço digno de todos os elogios.
Dino Gracio - Editor MeuJornal (04-12-04) ____________________________________________


Gráfica privada tem
Centro Cultural único no Espírito Santo.

     

GSA- Gráfica e Editora mantém um espaço dedicado às mais diversas manifestações culturais e, em especial, ao aperfeiçoamento do design gráfico do Espírito Santo.

O Centro Cultural GSA é iniciativa inédita no setor

Centro de Memória GSA
Foto: Divulgação GSA

gáfico privado capixaba e tem poucos semelhantes no país.

O Centro - com ambientes projetados pelo designer Ronaldo Barbosa - tem setor onde são exibidas máquinas e equipamentos que contam a história dos 35 anos da GSA.

Auditório e toda uma infra-estrutura para eventos também integram o Centro Cultural GSA com programação de lançamentos de livros, produtos editoriais, seminários, palestras e exposições de arte.

Curiosidades expostas no Centro de Memória do Espaço Cultural GSA são o menor livro e o menor jornal do mundo, registrados no Guiness Book.

O Centro Cultural GSA é composto por Centro de Arte e literatura, Centro e Memória, ala de Palestras e Seminários, Sala de Leitura e Vídeo e ainda área para Exposições e Eventos, destinada a exposições, vernissages e outras manifestações artísticas.

O Centro Cultural GSA fica no mesmo endereço da Gráfica e Editora GSA: Rua Pedro Botti, 81, Consolação - Vitória - ES. Os administradores do Centro solicitam contato pelo telefone (27) 3232-1266 para agendamento de visitas e outras informações.
Erildo dos Anjos, jornalista - Fonte: Centro Cultural GSA - MJ 12-10-04
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Tecnologia que apaga o humanismo.

Esses dias fui descansar um pouco no sofá de casa e resolvi pegar algumas fotos antigas para dar uma olhada. Achei engraçadas as fotos que vi.

Muitas em preto e branco mostravam como havia sido o casamento de meus pais e eu ficava rindo sozinho vendo como as pessoas eram naquela época. Os familiares que hoje vejo envelhecidos e marcados pelo tempo, nas fotos eram jovens esbeltos , sorridentes e cheios de vida.

Me perdi no tempo vendo as fotos , acompanhei também fotos de viagens de meus pais do nascimento de minhas irmãs mais velhas. Só parei de olhar quando apareceram as fotos do meu nascimento, porque daquelas em diante eu já tinha visto todas .

O mundo fica em constante progresso e a tecnologia de hoje em dia faz com que um casamento não só seja fotografado como inclusive, se você quiser, pode fazer um Dvd de seu casamento. Meu pai, de sua época de criança tem fotos de péssima qualidade ao passo em que meu filho terá fotos de alta resolução desde o dia de seu nascimento.

Essa é evolução é desenfreada e nada ode impedir isso. A única coisa que nos resta é nos surpreendermos dia após dia com as novidades a nós apresentadas, e tambem fazer uso das que nos convém.

Interessante é que naquelas fotos em preto e branco eu vi algo no sorriso daquelas pessoas: uma intensidade que hoje eu não vejo igual.

As novidades tecnológicas são acompanhadas de novidades comportamentais, incluindo falsos sorrisos, individualismo , falta de personalidade, falta de amor ao próximo.

E a culpa é do tempo que passou voando multiplicando a população e transformando os seres humanos em sobreviventes de um mundo solitário. De um mundo onde o pessoal impera.

Em um mundo onde a competitividade é tão grande que você tem que garantir sozinho o seu espaço e lutar para manter ele.

Esse mundo "globalizado" é duro, é injusto e perdeu em humanismo tudo o que ganhou em tecnologia com o passar do tempo.
Carmelo Cañas, estudante, - MJ 02/10/04
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Advogado lança livro sobre nova legislação de condomínios

O advogado Hamilton Quirino Câmara lança, nesta quinta-feira (30/9), o livro “Condomínio Edilício -- Manual Prático com Perguntas e Respostas”. Publicada pela editora Lumen Juris, a obra comenta os dispositivos do novo Código Civil e de artigos ainda vigentes na Lei 4.591. Traz, ainda, as recentes alterações feitas pela Lei 10.931, de agosto de 2004.

Além da doutrina e da jurisprudência, Quirino apresenta dúvidas freqüentes sobre o tema. Há também comparações com a legislação estrangeira, como a chilena, que autoriza o corte de energia elétrica dos condôminos inadimplentes, e da Lei portuguesa, que disciplina a arbitragem no âmbito dos condomínios.

O livro será lançado às 17 horas no Emerj -- Tribunal de Justiça, no Rio de Janeiro. A obra tem 444 páginas, custa R$ 70 e está à venda nas livrarias especializadas. Também é possível comprar o livro pelo
site da Lúmen (www. www.lumenjuris.com.br)
Fonte: Revista Consultor Jurídico , 27 de setembro de 2004
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MeuJornal participa de caça às bruxas
e recebe apoio de Audálio Dantas.

A invasão do Halloween no Brasil passa a encontrar forte oposição de pessoas ligadas à valorização da cultura nacional. Audálio Dantas, um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro, escreveu a respeito.

MeuJornal pediu autorização para publicação do material e recebeu resposta através de e-mail que merece ser lido.

"Caro Dino

Queimação de bruxas, no caso, é válida. Não pelas bruxas em si, apenas
lendas, mas pela macaquice que as importa.

É absurdo que as nossas crianças sejam levadas, nas escolas, a festejar
o tal de Halloween enquanto se põem de lado mitos e lendas brasileiros, figuras como o Saci, a Cuca e a Caapora, que aparecem nas histórias de um dos mais importante autores da literatura infantil, entre os maiores do mundo, que é Monteiro Lobato.

Não se trata de nacionalismo, xenofobia.

A questão é: por que se voltar para culturas de
outros povos, se temos a nossa, tão rica, patrimônio comum, fundamental para a preservação na nossa identidade nacional?

É bom que incorporemos o saber de outros povos, que nos enriquece, mas no caso nada temos a ganhar.

Quanto à reprodução do artigo, fique à vontade para reproduzi-lo no
SeuJornal, que adotarei como MeuJornal.

Abraços

Audálio Dantas. "

Muito bem. Caaalma aí. O artigo de Audálio Dantas sobre a a invasão do ralouin estará na íntegra na edição de MeuJornal amanhã, 25/09/04.
Dino Gracio – MJ – 24/09/2004 _________________________________________

Preguiça baiana é motivo de tese.

Dorival Caymmi e Gilberto Gil assumiram há tempos a malemolência que
lhes é atribuída. Para eles, a preguiça é um traço de identidade cultural da Bahia, expressão de um modo de vida em que o trabalho não precisa
opor-se ao lazer.

Segundo a tese “O mito da preguiça baiana”, defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 1998 pela antropóloga Elisete Zanlorenzi, a origem desse estereótipo foi engendrado pela elite da Bahia com o objetivo de depreciar os negros, a maioria esmagadora da população local.

Isso remonta aos tempos da escravidão e ganhou fôlego em reação à Lei Áurea. Defendida em1998, a tese teve repercussão dentro e fora do ambiente acadêmico, mas só agora será publicada na forma de livro, com lançamento programado para o final do ano.
Elaine Marcele - Fonte: é tutoria de comunicaçao (matéria publicada
na Revista Pesquisa Fapesp, 103, mês de setembro) MJ-14/0904

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O pior programa da TV aberta do Brasil é quase tudo.

Manoela Marques opinou sobre o pior programa da TV aberta do Brasil e MeuJornal, através do Dino Gracio, repassou (sábado, 11) para a colaboradora, conforme prometido , um convite para o GMail, o mail com 1 giga de caixa postal do Google.

Mensagem do convite:
" Manoela, Dino Gracio has invited you to open a Google mail account"    

- Qual o pior programa da TV aberta do Brasil e por que?
Resposta da Manoela:

"Eu queria de verdade conseguir um convite pro GMail, mas, com essa proposta, fica difícil. Eu vou me esforçar ao máximo para dizer o que eu penso da TV aberta aqui, nesse país e, espero eu, que o que eu penso seja entendido.

Eu mesmo não tenho dedicado meu precioso tempo à televisão. Sinceramente, passar horas e horas em frente à TV da maneira que está hoje, no Brasil, é assinar atestado de idiotice. Sim, bem grande “eu sou idiota mesmo”.

Assistir a um programa gera audiência e essa é a maneira encontrada pelas emissoras para medir quantas pessoas compactuam com a idéia idiota passada por seus programas. Sim, digo idiota mesmo.

Um exemplo clássico, porém antigo, é um concurso que teve no Raul Gil para a escolha do “É o Tchan mirin”. Imaginem vocês crianças com idade em torno de 4 anos rebolando, abrindo as pernas e mostrando o
bum-bum pro Brasil inteiro?
E o pior, a platéia aplaude, a mãe acha lindo... Pode parecer exagero, mas isso é ridículo. O que estão ensinando a essas crianças? Que rebolar e abrir as pernas, chama a atenção. Pensem um pouco...

Mas não é apenas o programa do Raul Gil que comete esses absurdos. Existem muitos outros. O Faustão e o Gugu são praticamente a mesma coisa. A Xuxa, a Eliana, Adriana. São programas infantis, certo? E os desenhos? Não acrescentam em nada na vida das crianças, não possuem um propósito educacional, é apenas entretenimento.

O Jornal Nacional do Willian e da Fátima não passa notícia, só desgraça. Sempre foi assim, vai ser assim para sempre. Eles não se preocupam em mostrar as coisas boas do país ou o lado obscuro da sociedade. Alguém aqui já parou para pensar no motivo para tantas mortes e violência?

Aposto que já. E alguma vez o jornal já mostrou isso? Alguma vez o jornal mostrou a inoperância da polícia? Do governo? Só quando acontece algum escândalo. E só duas ou três pessoas são corruptas?
Sabemos que não.
Eu sei que existem alguns programas bons, eu mesmo assisti muito Glub-glub e Castelo Rá-Tim-Bum na TVE – a Tv Cultura. E são programas bons. Se têm algum caráter “idiotizante” é bem menor que o dos demais programas da Tv aberta brasileira. Existe também o Altas Horas e o Programa do Jô que, ao meu ver, são programas excelentes.

Então, qual é o pior programa? Nem eu sei. Acho que atingi o meu propósito de esclarecer que o pior programa é o conjunto de programas. Não existe um pior, todos são horríveis.
E aí, MeuJornal, consegui meu convite do GMail? "
Manoela Marques, 18 anos, estudante, 11/09/2004

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Qual a sua escolaridade?

O título foi a pergunta da primeira enquete do MeuJornal.
Resultado: Escolaridade Primária, 7.14%; Secundária, 37.50;
Superior, 5,36. O resultado reflete, em linhas gerais,
o perfil da escolaridade de usuários da Internet no Brasil.

A Internet, tida como um extraordinário mecanismo de inclusão social,
não é possível a enormes camadas da população.

E para melhor avaliar a enquete do MeuJornal, que durou 40 dias e
teve 56 respostas, é importante considerar que a linguagem do veículo realmente não confere a este caractarísticas muito populares.

MeuJornal não publica piadinhas, bundões, circo do futebol, imbecis
sarados em banheiros big-brothers, não provoca hemorragias no PC com noticiário policial.

MeuJornal não é elitista. É o que é. Uma publicação – classificada
como jornal porque seu mentor é um jornalista – sinceramente
aberta à participação de TODOS os segmentos sociais, com qualquer
nível de instrução.

Claro que para acessar e participar idealmente do MeuJornal é preciso
saber ler e escrever e ter disponível um computador.


Infelizmente sonhos ainda distantes para milhões e milhões
que poderiam ter melhores rumos em suas vidas com essa polêmica, idolatrada, combatida porém irreversível forma de comunicação humana.MeuJornal agradece aos que responderam a enquete
- e também aos que não responderam.

Bem. Nova enquete está na primeira página do MeuJornal.
Essa é sobre o imutável hábito da fauna política de beijar pobres e criancinhas.
Seres nos quais, depois, se eleitos, quase que invariavelmente os antigos candidatos cospem.
Dino Gracio – MJ – 28-08-2004
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A Bunda é encontrada no Google e motiva
engenheiro a virar desempregado e fazer poema.

NR - Correspondências curtas poderão ser publicadas no MeuJornal
na seção Mal Traçadas, o equivalente às Cartas de Leitores
da imprensa tradicional.

Entretanto o Nivaldo remeteu mensagem curta mas que fala de um
poema –
A Bunda, publicada na 1ª edição do MeuJornal – e mandou
uma poesia dele mesmo. Então a obra do engenheiro Nivaldo caiu
aqui na seção Cultura e pode partir para seu merecido megabyte de fama.

Dino Gracio-MJ
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Mensagem:

Pois é. Coincidências acontecem. Estávamos conversando
sobre o tal "glúteo feminino" quando um amigo iniciou uma
declamação, que começava assim:

- Quando ela passa, todo mundo espia ...

Ele não se lembrava do restante da poesia. Então fui ao Goggle
e escrevi a primeira estrofe, e o que aconteceu?

Lá estava eu no Meu Jornal, diante da pérola inteira*.
Foi muito engraçado ver a reação do Vicente Tedesco, que conviveu com o
Pedro Mansur, ao saber que a sua recitação era do amigo.

E aí, sendo engenheiro, resolvi ficar desempregado
e contar isso prá vocês.

Talvez eu me entusiasme e fale mais.
Talvez nunca mais fale
Talvez só seja esse momento
Talvez não mais acabe
Mas o que importa?
O "agora" é que vale
Amanhã talvez não mais interesse
Por isso, agi, escrevendo.
Nivaldo Dalvi, engenheiro

*A Bunda, de Pedro Mansur, lá embaixo, último texto dessa seção.
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NR - Sabedoria é um poema inédito de Zé Carvalho.
Colaboração que MeuJornal recebe com carinho, admiração e orgulho, pois o economista e poeta não é de publicar seus versos em qualquer espaço.
Do MeuJornal para os merecidos megabytes de fama e glória, a sabedoria de Zé Carvalho.
Dino Gracio -MJ

Sabedoria

Alva barba, velha tez,
Enrugada,
Encarquilham-se-lhe os ombros
Baixam-se-lhe as pálpebras
E sob os pés esçamadiços
O chão, hoje movediço.

Já não há pernas de equilíbrio.
E os óculos já não permitem o deslumbrante alvorecer.
Assim como as noites já não lhe trazem o sono.

Esse ficou para trás, nas madrugadas de constantes delírios
De cabeça e de amor, quando então nada sabia.

A mente, sem agilidade, há muito lhe impede o prazer.
Novos tempos perdidos pela vontade, que também já não há.

Ah! A sabedoria.
Pra que te serve se o tempo se esvai sem contar contigo?
Melhor seria bater cabeça pelo turbilhão do vício.
Varar madrugadas, rasgar orgulhos, acordar em sarjetas.
Desacatar autoridade.
Desafiar Deus. Adeus fé!
Haveria sempre o tempo de recuperação.

Hoje não há mais. Só a sabedoria.
Que trocaria para errar tudo outra vez.

Zé Carvalho, economista. ________________________________________

A Bunda do Britz

A Bunda prova que referências à sensualidade e sexo podem ser feitas sem pornografia e com elegante senso de humor.
A Bunda
era recitada no extinto Britz Bar, em Vitória, para eclética e respeitosa platéia de jornalistas, intelectuais, artistas, engenheiros, políticos, empresários, publicitários, professores e saudáveis loucos de todo tipo.

Quase sempre a declamação era feita por um dos mais competentes jornalistas do Espírito Santo, amigo do MeuJornal e que pede
ter seu nome resguardado.
Ele tem razão: A Bunda pode não ser aceita com a admiração de antigamente. Dino Gracio-MJ

A Bunda
(Pedro Mansur)

Quando ela passa, todo mundo espia
Não para a cara, que não é formosa
Mas para a bunda, que é maravilhosa

Em bunda, nunca se viu magia
Mexe, treme, rodopia
Numa dança de carne voluptuosa

Ah! Deve ser uma bunda cor-de-rosa
Da cor do céu, quando clareia o dia
E eu a contemplo em silêncio. Mudo.

Porque embora aquela cara não valesse nada
Só aquela bunda
Valia tudo.

Colaboração de
Faraó, jornalista - Vitória/ES (15-07-04)