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Canudo de papel
O diploma e as orelhas
Carlos Brickmann *
Aparício Torelly, ou Aporelli, ou o Barão de Itararé, foi um dos grandes humoristas brasileiros. Membro do Partido Comunista (na ilegalidade), e sabendo que a truculenta polícia política poderia invadir sua redação, colocou na porta um cartaz histórico: "Entre sem bater". É dele também a frase definitiva: "Diploma não encurta a orelha de ninguém".
O debate sobre o diploma de jornalista parece partir do princípio de que, obtido o diploma, as orelhas se reduzem e o cavalheiro pára de zurrar. Gente como Ricardo Kotscho, como este colunista, como Boris Casoy, como Eduardo Suplicy, como Joelmir Beting, sem diploma de jornalista, está condenada à mais profunda ignorância. Se souber duas línguas, uma será o zurro; outra, o relincho.
O Brasil teve normas regulatórias antes de ser um país; teve censura antes de ter imprensa. Talvez por isso, imagina-se que uma profissão, não sendo amparada por um diploma, será forçosamente mal exercida. Só que não será, não: pode-se perfeitamente trabalhar em jornal sem um papel assinado – e assinado por gente que, muitas vezes, jamais deu a honra de sua presença numa Redação.
Diploma de jornalista não é ruim: é bom. Pode ser ótimo. É desejável. Mas não é essencial. E nem vamos entrar naquela conversa mole de que os patrões querem abrir o mercado para pagar menos. Patrão, por definição, sempre procura pagar menos. E os exemplos citados, de jornalistas sem diploma, sempre estiveram entre os maiores salários das redações em que se engajaram.
Talvez o motivo da luta pelo diploma seja outro, mais feio: a reserva de mercado. Porque, não haja dúvida, as empresas sempre vão procurar os profissionais que julgarem mais competentes; e, se não houver lei, rigidamente fiscalizada, com penas severíssimas, escolherão os melhores, com diploma ou sem ele.”
(NR)*Carlos Brickmann é jornalista. Sem diploma.
Fonte: Observatório de Imprensa -21/11/06
MeuJornal.net: 23/11/06
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Peso do papel
STF garante exercício de jornalismo sem diploma
“O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, garantiu o exercício de atividade jornalística aos que atuam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área. A decisão, que tem de ser referendada pela 2ª Turma do STF, foi tomada em Ação Cautelar proposta pela Procuradoria-Geral da República.
Gilmar Mendes acolheu os argumentos da PGR de que a decisão cautelar é necessária para ‘evitar a ocorrência de graves prejuízos àqueles indivíduos que estavam exercendo a atividade jornalística, independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior específico'. A decisão é válida até o julgamento do Recurso Extraordinário que definirá a questão.
De acordo com o ministro, o recurso extraordinário discute matéria de ‘indubitável relevância constitucional', especificamente a interpretação do artigo 5º, inciso XIII, da Constituição, que dispõe: ‘é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer'.
O ministro ressaltou que o tema também discute a interpretação do dispositivo que estabelece que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”, garantindo a plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social.
Histórico
O Ministério Público Federal entrou com ação em outubro 2001 para que não seja exigido o diploma de jornalista para exercer a profissão. No dia 23 de outubro de 2001, por decisão liminar, foi suspensa a exigência do diploma de jornalismo. A ação foi julgada parcialmente procedente em primeira instância.
Recorreram contra a sentença o MPF, a União, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo. Em outubro de 2005, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região entendeu que o diploma é necessário para o exercício do jornalismo. Então, o Ministério Público Federal entrou com Recurso Extraordinário no STF e, em seguida, com a Ação Cautelar para garantir o exercício da profissão por quem não tem diploma até que o tema seja definido pelo Supremo.
Segundo o MP, o Decreto-Lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, vai de encontro com o artigo 5º da Constituição de 88 que garante a liberdade de expressão.”
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 17/11/06
MeuJornal.net: 18/11/06
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Vida de estudante
STF julga transferência de escola pública para privada
“O caso de uma universitária que conseguiu transferência de curso privado no Rio de Janeiro para um público, em João Pessoa, na Paraíba, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. O relator será o ministro Cezar Peluso. A reclamação foi ajuizada pela Procuradoria-Geral da República.
A PGR contesta a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que aceitou a transferência da estudante de medicina. Para os procuradores, o acórdão do TRF-5 desrespeitou decisão do STF no julgamento do mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3324), de agosto do ano passado.
Na ocasião, a Corte entendeu que a transferência de alunos para estabelecimentos educacionais deve observar a congeneridade das instituições envolvidas, isto é, de privada para privada ou de pública para pública. “Portanto, assentou essa Corte o entendimento de que não mais é possível a transferência obrigatória de estudantes entre instituições de ensino diversas”, destaca o Ministério Público Federal.
No caso, a estudante ajuizou Mandado de Segurança na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba para obter a transferência do curso de medicina da Universidade de Iguaçu (RJ), para o mesmo curso na Universidade Federal da Paraíba. A universitária justificou a ação judicial com o argumento de que tinha sido nomeada para exercer cargo na prefeitura de João Pessoa.
Em primeira instância, o pedido foi negado. O TRF-5 acolheu o recurso de apelação da estudante e permitiu a transferência. A PGR sustenta que o juiz de primeiro grau agiu certo ao negar o pedido. “Ele observou que a mudança de domicílio, do Rio de Janeiro para João Pessoa, deu-se em interesse particular e não no interesse da administração, pois a estudante, nomeada para exercer cargo em comissão na Secretaria Municipal de João Pessoa, não mantinha vínculo anterior com o serviço público, o que afasta o alegado direito de transferência compulsória de universidade”, alega a PGR.
Assim, o Ministério Público Federal solicita a concessão de liminar para suspender a decisão do TRF-5 favorável à estudante até o julgamento final da reclamação. No mérito, a PGR pede que seja julgada procedente a reclamação para cassar o ato questionado.”
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 10/11/06
MeuJornal.net: 11/11/06
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Imperialismo autoral
“Tradutor americano recebe direitos autorais de Tom Jobim
Priscyla Costa
A família do compositor Tom Jobim luta na Justiça dos Estados Unidos para receber os direitos autorais das versões em inglês das músicas do maestro. A Universal Music Publishing, braço editorial da gravadora que detém os direitos do compositor e que autoriza quaisquer versões de músicas de seus contratados, cedeu direitos para versões em inglês das obras de Jobim, mas entendeu de pagar os direitos autorais de sucessos internacionais como Garota de Ipanema e Insensatez somente para o americano contratado para fazer a tradução das obras para o inglês, Norman Gimbel.
A ação, proposta há mais de um ano, corre no Corte Distrital Sul de Nova York. A viúva e os filhos do maestro são representados pelo advogado John Rosenberg. Garota de Ipanema, em suas diversas versões, é uma das canções mais executadas do planeta. Somente nos Estados Unidos, a obra foi gravada, entre outros, por Frank Sinatra, Quincy Jones, Miles Davis e Dizzy Gillespie.
No processo, os herdeiros de Tom Jobim alegam quebra de contrato e a falta de pagamento de direitos autorais. Sustentam que a editora não é dona dos direitos do compositor, apenas cessionária por licença. Por isso, estaria desautorizada a dispor individualmente desses direitos e de pagar os royalties somente à parte que foi contratada para fazer a versão das letras para o inglês. Na ação, além do pagamento dos direitos, a família pede também a reparação dos danos causados.
O processo trata especificamente da veiculação das músicas de Tom em quatro países da Ásia (Hong Kong, Taiwan, Malásia e Cingapura), outros quatro da América Latina (México, Chile, Argentina e Colômbia).
Direito Comparado
De acordo com o advogado Nehemias Gueiros, especialista em Direito Autoral, a legislação internacional de direitos autorais, tanto em convenções e tratados como, principalmente, no âmbito interno dos países, prevê remuneração regular para tradutores, versionistas, arranjadores e adaptadores. Porém, os royalties pagos nesse caso são substancialmente menores do que os dos autores originais.
Nehemias Gueiros explica que a lei americana de direitos autorais (U.S. Copyright Act), de 1976, por exemplo, é clara nesse sentido, em seus artigos 114 e 501, quando trata das limitações dos titulares e licenciados de direitos autorais de terceiros. Como os Estados Unidos são signatários, desde 1989, da Convenção Internacional de Berna sobre a Proteção aos Direitos de Autor, o ordenamento jurídico protege de forma recíproca as obras estrangeiras.
“Tudo indica que os herdeiros de Tom Jobim estão diante de uma vitória nas barras dos tribunais americanos, não sem antes experimentarem as agruras da litigância daquele país, mas trata-se de um caso paradigmático, que por certo terá o condão de consolidar o entendimento da matéria no maior mercado de entretenimento do mundo, influenciando, desta forma, a comunidade global do show business”, afirma o advogado.”
Fonte: Revista Consultor Jurídico – 08/07/06
MeuJornal.net – 08/07/06
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V de vingança: a anarquia vence
“Os ideais são à prova de bala?
São à prova do luxo e do deslumbramento?
São à prova do exercicio do poder?
O filme V de Vingança excelente. Um anarquista, solitariamente, promove uma revolução e vence!!
Desmoraliza a religião; explode, literalmente, o judiciário e o parlamento; causa uma série de lutas (o poder pelo poder), que resulta na ausência de ordenadores no executivo; implode a mídia. E, “the end”. Ficamos sem saber o “day after”, mas isso não tem a menor importância.
Com final anarquista, a peça é contemporânea, embora permeada de George Orwel (1984 e Revolução dos Bichos). O desenrolar da película é instigante: identificamos Bush, Blair, Hugo Chaves, Fidel, ... E nós, simples cidadãos, em busca de trabalho e de uma rede para deitar!!!! Caramba!! Como a gente é inocente, puro e besta, sô!!
?Bons tempos aqueles da gonorréia, do Delfim Neto e das ditaduras explícitas, não internéticas?
Ah! No fundo musical, salvo engano de um desatento, Bethoven, Corcovado e Garota de Ipanema.”
Colaboração de Gil, economista - Vitória/ES –Remetida em 04/05/06
MeuJornal.net – 05/05/06
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"Contrapassos
(Droga de Felicidade)
Revil Filho
Procurei-te em fumaças,
Seguindo o turbilhão do perfume que achei teu;
E só me vi perdido, com os anos passados
Afugentando o pó que o tempo me deu.
Já não respiro tranqüilo,
Carcomido estou em minhas entranhas.
Estranha felicidade que não tem sentido
Sentindo o mal que a vida arrebanha.
Debruço-me em sonhos do luar no quarto
Ferindo dedos em pontas de estrelas;
De olhos fechados, te enxergo e me mato
Nas vias dos braços onde pensei tê-la.
Felicidade assim é passageira e cega,
Nega a folha tenra que no galho viceja
Nega o orvalho que à planta rega,
Nega o mar que à areia beija.
Quero-te da emoção do primeiro filho,
Quero-te na emoção do primeiro amor.
Não me venhas bandida, minando meu ato,
Mas me diga no ato que o teatro passou
E traga-me à vida, real, inda finita,
Que, bendita, insiste, e não me largou.
E a felicidade querida que um dia busquei
Posso hoje dizer que enfim, me achou.”
Colaboração de Revil Filho, economista (ES), remetida em 18/04/06
MeuJornal: 21/04/06
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O evangelho da mídia
A vingança de Judas Iscariotes
Alberto Dines
"Foi um dia bíblico, em todos os sentidos. De certa forma, apocalíptico – reverteu crenças, mitos e tradições que já duram milênios. Mexeu com dogmas, sempre intocáveis. Questionou a infalibilidade religiosa. Derrubou estereótipos. Reabilitou os bodes-expiatórios. Abriu caminho para revisões que podem mudar teologias, filosofias, ideologias e civilizações.
E, não obstante, depois de lidos os jornais, vistos e ouvidos os noticiários matinais daquela sexta-feira (7/4), o mundo cristão não foi para a rua: não se registraram tumultos, linchamentos, quebra-quebras por causa das conclusões extraídas do Evangelho de Judas, onde aquele que encarnava a traição reaparece como o preferido de Jesus de Nazaré.
Católicos, luteranos e cristãos-ortodoxos não se manifestaram e certamente não se manifestarão tão cedo. As religiões, todas as religiões, jamais se submetem às evidências científicas. Existem e subsistem na esfera do inquestionável. Mas alguma coisa moveu-se no implacável esquema que fez de Ihudá (Judas), Iscariotes (Isch-Karioth) o Vilão Absoluto e concentrou nos judeus (Iehudim) todas as vilanias da humanidade.
Aparato midiático
Apesar do rigor científico empregado para a datação, restauração, tradução e exegese do precioso documento há um lado midiático que não deve ser esquecido na sua divulgação pela National Geographic Society.
O anúncio ocorreu dias antes da Semana Santa, quando a mídia impregnada de fervor religioso relembra os últimos momentos de Jesus Cristo, sua Paixão e Ressurreição. Melhor clima não poderia haver para receber e fazer ressoar a comunicação.
Dois dias depois, no domingo (9/4), às 22 horas (horário brasileiro), o National Geographic Channel exibiu um docu-drama (documentário com partes interpretadas por atores) intitulado O Evangelho Proibido de Judas , com duas horas de duração e onde se mesclam reconstituições históricas, investigação científica e longos depoimentos do grupo de sábios envolvidos na extraordinária façanha de converter aqueles papiros esfarelados num dos documentos mais palpitantes da civilização dita ocidental.
Apesar da escolha da data e do aparato midiático (fartamente anunciado nos jornais de sábado, domingo e semanários), o documentário está à altura do seu teor e remete o missionarismo de Mel Gibson e as fantasias de Dan Brown ao plano da pura ficção.
Raízes espirituais
Como lembrou Carlos Heitor Cony ( Folha de S.Paulo , segunda-feira, 10/4), são antigas as hipóteses para reabilitar Judas Iscariotes. Um estudioso brasileiro, o general Danilo Nunes, produziu Judas, Traidor ou Traído? (Record, 1968), best-seller que ultrapassou nosso idioma, credenciado por um sólido levantamento bibliográfico que remonta ao século 19.
A espetacular e espetaculosa revelação do Evangelho Segundo Judas não é uma iniciativa anti-religiosa, ao contrário: vai ao âmago das devoções cristãs ao relacionar-se com os demais evangelhos censurados pela Igreja (Tomás, Felipe etc.) encontrados nos anos 1940 em Nag Hammadi (Egito) e os Manuscritos do Mar Morto descobertos uma década depois, em Israel.
Ao revelar as raízes espirituais do cristianismo primitivo, suas relações com os essênios e certas doutrinas esotéricas, fica em segundo plano a questão do "Jesus Histórico". Combinada à história a religião não é diminuída – ao contrário, valida-se.
[Texto fechado às 19h30 de 10/4]”
Fonte: Observatório da Imprensa – 10/04/06
Meujornal – 13/04/06
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Dia Internacional da Menina e do Machão
Mario Persona
“Acabei de instituir. Vem antes do dia Internacional da Mulher porque para que uma mulher seja mulher ela precisa ser menina. Se não for menina, não continuará sendo mulher. E o machão, onde entra? Em lugar nenhum. Ele sai...”, porque hoje o dia é dela, e ele odeia isso.
Sabe como eu sei que mulheres são meninas? Porque observei uma.
Que idade tinha? Cavalheiros jamais se lembram da idade, só a data de aniversário. Vi quando pegou uma Barbie esquecida num sofá. O que fez? Deu uma arrumadinha nos cabelos da boneca. Meninas de todas as idades continuam fazendo assim. Continuam sendo meninas, mulheres e mães.
Como foi Ruth Handler, que só inventou a Barbie porque viu a filha Barbara brincando com bonecas adultas de papel. "Menina quer ser mulher", pensou ela com seu lado menina antes de colonizar o mundo com mais de um bilhão de bonecas que mulheres de todas as cores, idades e tamanhos continuaram pegando e arrumando os cabelos.
Enquanto as feministas arrancavam os seus.
Barbie foi o protótipo do sonho de modelo que existe em cada menina. Ao contrário do que os machões pensam sobre modelos - profissão que virou resposta-padrão de algumas belas sem profissão - mulheres podem ser lindas e inteligentes como a austríaca Hedwig
Eva Maria Kiesler. Não sabe quem é? Nome artístico Hedy Lamarr.
Ainda não? Aquela atriz de Hollywood que faz tocar seu celular. Não se lembra da Dalila do épico de Cecil B. DeMille? Não, você deve ser mais novo. Então deve ter visto a embalagem do CorelDraw 8. É a cara dela.
Pois é, foi atuando em Hollywood durante a 2ª Guerra que ela inventou um sistema de alteração contínua das freqüências de rádio para guiar torpedos e evitar a interceptação pelo inimigo. A tecnologia é hoje utilizada nas bombas inteligentes e em ligações via celular, inteligentes ou não. Hedy Lamarr era inteligente o suficiente para saber ser bela:
"Qualquer garota pode ser glamorosa. Basta ficar imóvel e parecer burra." - disse ela.
Infelizmente é o que algumas fazem, belas ou não. Gastam a vida imóveis e inúteis, como limpador de pára-brisa quebrado em dia de chuva. Por sinal, também inventado por uma mulher, Mary Anderson.
Você, machão, que acha que mulher é sinônimo de burrice, experimente dirigir na chuva sem limpador. Você teria inventado?
Sei... e colocado do lado de dentro do pára-brisa, não é? Só para responder com uma piada tão velha quanto aquela que você gosta de contar.
Isso, aquela da loira que usou Liquid Paper na tela do computador.
Você conta como se soubesse o que é Liquid Paper, não é machão?
Quem sabe escrever conhece. Idéia de uma mulher, Bessie Nesmith, secretária que inventou e ofereceu aos homens de gravata preta e camisa branca da IBM de seu tempo - que acharam a coisa inútil - vendendo depois os direitos para a Gillette por 47,5 milhões de dólares. Tudo isso enquanto machões e meninas imóveis faziam pose por aí. Depois dessa vai ter machão querendo me matar.
Vou andar de colete à prova de balas feito de Kevlar, material inventado por
Stephanie Louise Kwolek.
As mulheres inventaram também outras coisas para a alegria dos homens. Eu disse 'outras coisas', machão. Para os que gostam de ajudar a mulher com o bebê - você nunca fez isso, não é machão? - mas se atrapalham com as dobras da fralda e o alfinete de segurança, Marion Donovan inventou a fralda descartável. E para quem quer manter distância da pia da cozinha, e geralmente consegue por causa da barriga, Josephine Cochran inventou a máquina de lavar louças. Viva a mulher!
Acho que vou parar por aqui. Em minhas pesquisas encontrei outras invenções femininas na química, física e biologia, mas é melhor não arriscar comentar pois não entendi direito. Talvez por ser homem.
Mas acho que já deu para mostrar minha admiração pelas mulheres e também o que acho dos Rambos que existem por aí, que humilham e espancam. Só no Brasil, a cada minuto quatro Rambos provam no rosto de uma mulher que sabem dar patadas.
Houaiss define "machão" como "aquele que tem coragem, que é capaz de enfrentar qualquer empreendimento difícil e perigoso; valentão diz-se de ou homem agressivamente viril, que se mostra excessivamente orgulhoso de sua condição masculina". O que o Rambo não sabe é que, no campo de batalha, o brado mais comum na boca dos bravos moribundos é "Mamãe!".”
Mario Persona (com permissão de) www.mariopersona.com.br -08/03-06 - Palestrante, consultor e autor de Marketing Tutti-Frutti e Marketing de Gente.
MeuJornal – 26/03/06
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Histórias de vida
As lições paternas
Aprendi com meu pai – 54 pessoas bem-sucedidas contam a lição mais importante que receberam de seu pai, de Luís Colombini, 256 pp., Editora Versar, São Paulo, 2006; R$ 34,90 [do release da editora]
Qual foi a lição mais importante que você aprendeu com seu pai? Essa pergunta foi respondida por 54 pessoas de sucesso, entre artistas, cantores, atores, músicos, empresários, executivos, publicitários, jornalistas e diretores de cinema. São grandes nomes como Paulo Autran, Zezé Di Camargo & Luciano, Ivete Sangalo, Cássio Gabus Mendes, Mauricio de Sousa, Lígia Cortez (filha de Raul Cortez), Nuno Cobra, Alice Carta, Nelson Motta, William Bonner, Walcyr Carrasco, Vilfredo Schürmann, Alberto Saraiva (fundador do Habib´s), Antonio Maciel (presidente da Ford), Roberto Lima (presidente da Vivo), Roberto Dualibi (presidente da agência de publicidade DPZ), Fabio Fernandes (F/Nazca) e Fernando Terni (presidente da Nokia), entre outros.
O resultado é um livro de memórias, ou de histórias, das 54 celebridades que aceitaram revelar cenas inéditas de seu passado, às vezes com bom humor, às vezes emocionados, sempre com uma franqueza desconcertante. Num mundo cada vez mais complicado, Aprendi com meu pai fornece um farto material de reflexão e de orientação na relação entre pais e filhos.
Sobre o autor
Jornalista há 17 anos, Luís Colombini trabalhou em revistas como Veja, Você s.a., Viagem e Turismo e Forbes. Criou e dirigiu também a Seu Sucesso, especializada em negócios. Hoje se dedica a livros.
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TRECHO
Mauricio de Sousa, o criador da Turma da Mônica
Minha avó investiu para que o filho tivesse seu ofício. Montou um salão caprichado, em estilo art decô, com espelhos de cristal, luminárias francesas e mármore italiano. Barbeiro por profissão, Antonio Mauricio de Souza, com Z mesmo, meu pai, aparava barba, cabelo e bigode mas não tirava prazer do salão. Ali, com tesoura e navalha, só fazia dinheiro.
Nas horas vagas, ganhava o que seu coração mandava. Era então poeta, músico, escritor, desenhista, pintor, radialista, jornalista, ghostwriter de políticos e fazendeiros e ainda me levava ao cinema todas as noites da semana – sábado não, que era dia de festa. Dos meus seis anos em diante, era Tom Mix hoje, Humphrey Bogart amanhã, depois Gene Kelly e Fellini, num tempo em que filme não tinha censura de idade, entrasse quem quisesse e entendesse o que desse. Foi Petronilha Araújo de Souza, minha mãe, comigo ao colo e meu pai ao lado, quem me mostrou o mundo. Apresentou-me casas e ruas, rios e montanhas, piqueniques, procissões e carnavais. Mas foi meu pai quem me ensinou o que eu podia fazer com o mundo. Ele me construiu - sugerindo, incentivando, interagindo, me introduzindo em todas as suas artes, seu jeito de ser e a liberdade de deixar ser o que quiser. O resultado é que a grande lição que recebi dele é um mosaico de cenas grudadas no painel da infância.
Ele me mostrou a música que mais tarde me levou a ser cantor de rádio. Uma vez por mês, meu pai e seus amigos seresteiros se reuniam na casa funerária que ficava na esquina de casa, em Mogi das Cruzes. Entre flores e caixões, passavam a noite com chorinhos e sucessos da Rádio Nacional. Meu pai me mostrava os instrumentos e seus sons, a maneira de tocar. Acertava o diapasão e pedia para eu cantar em Si depois em Lá. Ali na funerária perdi o medo de soltar a voz e também de caixão – e como queria que mais meninos e meninas perdessem medo de assombração, anos mais tarde criei o Penadinho, fantasma boa praça que não assusta ninguém.
Também uma vez por mês, havia outra reunião, a dos poetas. Eu ficava ali, rodeado de parnasianos declamando dores de cotovelo. Ai, como aquilo era chato. De poesia, o que eu gostava era do caderno de capa dura, preta, no qual meu pai escrevia versos com sua letra desenhada. Certa vez ele saiu, eu peguei o caderno e desenhei, ilustrei as poesias dele. Quando voltou, papai viu minha obra na obra dele e, em vez de brigar, saiu para comprar mais caderno. "Olha, este aqui é o seu caderno, desenha aqui, não no meu", disse, explicando, jamais implicando. Meu pai nunca brigou comigo por nada que eu experimentasse ou tentasse.
Ele às vezes também fazia suas traquinagens. Morávamos numa casa pequena, quarto, sala, cozinha, banheiro. Um dia perguntei como é que tinha de desenhar para, numa paisagem, uma montanha parecer perto e a outra longe. Ele pegou lápis de cor e, na parede da sala, rabiscou a moldura de um quadro. Pintou ali uma cadeia de montanhas, uma aula de perspectiva na parede branca da sala, para desespero de minha mãe.
Mamãe às vezes ralhava com as manias do marido. Quando voltávamos do cinema e ela sabia que o filme tinha coisa de adulto, dizia: "Mas, Antonio, não é para criança ver, o menino não entende, deixe crescer primeiro". No dia seguinte, lá íamos nós de novo, os dois companheiros, mesmo que eu, de fato, não compreendesse muita coisa.
Mas também não era como mamãe pensava, pois onde adulto podia ver pecado eu só enxergava graça e esquisitice – a mesma esquisitice que achei no dia que encontrei uns desenhos estranhos de homens e mulheres sem roupa numa gaveta do meu pai. Só muitos anos mais tarde é que fui desconfiar que Antonio de Souza, além de montanhas na parede, também desenhava seus catecismos de sacanagem.
Nos anos 40 e 50, educadores desaconselhavam gibis (não só os de pornografia), diziam que revistinha incitava violência e crime. Nisso, meu pai e minha mãe concordavam: esse papo era bobagem. O consenso permitiu que um gibi aparecesse despreocupadamente em casa. Curioso, folheei, encantado com os desenhos. Meu pai me viu entretido, perguntou se tinha gostado, disse que sim. A partir daí, toda quarta, sexta e domingo à noite, quando eu já estava deitado, ele entrava no meu quarto e, da porta, jogava em cima da cama os gibis que o Roberto Marinho publicava. Nascia ali o meu futuro.
Cresci. Meu primeiro emprego foi meu pai quem arranjou, no jornal Mogi Esportivo, no qual eu desenhava símbolos dos clubes e caricaturas de jogador. Como bico, fazia anúncios e cartazes para o comércio. Papai já havia me ensinado um pouco de pintura, mas não me dei bem com tinta a óleo nem com pincel, muito mole para o meu gosto. Meu negócio era pena e lápis.
Mas ele insistia que eu deveria aprender com pincel. Um dia encontrei um modo de combinar meu jeito com a vontade dele: coloquei algodão na ponta da pena, criando uma espécie de pincel firme - algo que, soube depois, Monet fez para criar o efeito diáfano do Impressionismo. Desse modo, desenhei os anúncios e também pintei, já nos anos 90, a série de quadros que mistura telas famosas com os personagens da turma, como o Mônica Lisa, paródia da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.
Quando meu pai percebeu que eu poderia mesmo ganhar a vida com desenho, me deu a mais prática das lições. "Filho, não adianta fazer coisa bonita se não aprender a cobrar", disse. Pediu então a um amigo, o italiano Bruno, corretor de anúncio de rádio, que me contratasse como auxiliar de cobrança. "Quanto custam esses seus cartazes?", Bruno perguntou. Não sabia. "Então são 50 cruzeiros", ele definiu. A partir daí, eu desenhava, entregava, esperava uns dias e, morrendo de medo, ia cobrar – e eles pagavam! Maravilhado, descobri a chave para transformar desenho em dinheiro.
Mais tarde, por cinco anos, fui repórter policial da Folha da Manhã. Em 1959, criei os primeiros personagens da turma, Bidu e Franjinha. Foi por volta dessa época que meu pai me deu a última de suas grandes lições. Começou a conversa com uma franqueza desconcertante.
"Nunca me realizei totalmente", disse o homem que, como todo homem, também tinha suas imperfeições. Impacientava-se, por exemplo, com quem não acompanhava seu raciocínio. Tinha dificuldade em aceitar críticas, justo ele que as fazia sem medir palavras. Numa sala no fundo da barbearia, ele mantinha sua tipografia particular, na qual publicava jornais com críticas duras ao governo. Mais de uma vez, sua tipografia foi empastelada pela polícia. Mais de uma vez, a família, - pai, mãe, eu, minhas duas irmãs, Marisa e Maura, e meu irmão, Marcio – tivemos de deixar a cidade para que meu pai não fosse preso. Pois então. Naquela conversa, meu pai, apesar de ter sido muita coisa, até diretor de rádio e sócio de indústria, dizia-se frustrado. Baseado na sua experiência, ele foi direto ao ponto: "Não seja apenas um artista. Não fique na mão dos outros, trate também de administrar o seu negócio".
Antes de morrer, aos 65 anos, meu pai ainda trabalharia comigo, vendendo minhas tiras a jornais do interior. Nessa época, além de meu mestre, ele foi também meu embaixador.”
Fonte: Observatorio da Imprensa - 15/03/06
MeuJornal – 18/03/06
______________________________________________________________ João Martins, não à Utopia
João Martins é capixaba de Muniz Freire, viveu a juventude em
Cachoeiro de Itapemirim, aparenta 30 anos, já viveu uns 90, alguns afirmam que anda pelos 50.
Com doutorado em autodidatismo, Joãozinho, como é amplamente conhecido, foi bancário - Banco do Brasil - e diretor do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo. Exerceu correto mandato de deputado estadual (87 a 90) pelo PcdoB, partido no qual militou por 20 anos.
Atualmente sem filiação partidária e servidor público, João Martins, pés firmes no chão e olhar atento ao céu - é astrônomo amador - estréia em MeuJornal com as linhas abaixo, onde discorre sobre Utopia.
O que MeuJornal publica foi extraído de um original com 11 páginas
A4 em corpo 12 no Word.
Ao telefone, estilo locutor de jóquei, fala João Martins:
- Ah, Dino,essetextoaíeufizjogorápidocoisadeummês.
Graaaaaande Joaãozinho.
Dino Gracio - MJ
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UTOPIA
“Chamou-a utopia , palavra grega cujo significado é não existe tal lugar”. (Quevedo – citado no conto de Jorge Luis Borges
“Utopia de um Homem que está cansado”)
João Martins
“Há quatrocentos anos foi editada uma das maiores obras-primas da literatura mundial. A primeira parte apareceu em 1605 e a segunda em 16l5. O autor, alistado nas tropas pontifícias para lutar contra os turcos, perdera a mão esquerda na batalha de Lepanto. Quando viajava de retorno a Espanha, em 1575, o navio em que vinha foi assaltado pelos turcos, fazendo-o prisioneiro por cinco anos na Argélia . Foi libertado após os mouros terem recebido uma grande quantia pelo resgate, arrecadado junto a toda família, fidalgos e padres compadecidos, já que seu pai não tinha posse para tanto.
Para sobreviver o escritor aceitou o cargo de Comissário Real de Abastecimento da Invencível Armada, sendo nomeado mais adiante Coletor de Impostos , quando fora acusado injustamente de desvios de verbas. Nessa situação, Miguel de Cervantes Saavedra foi levado à prisão de Sevilha onde deu curso a sua grande obra Dom Quixote de La Mancha.
O livro “marca o início do romance moderno e é um dos sólidos pilares da literatura universal”. Pesquisa realizada pela Unesco coloca D. Quixote como o segundo livro mais lido da história da humanidade, atrás apenas da Bíblia.
Cervantes contrapõe “um mundo real e prosaico a um mundo imaginário”. Para ele, o “real e o poético são antinomias”.
São dois personagens centrais: Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura , magro, desossado e “ sonhador alucinado ” e Sancho Pança , seu escudeiro, gordo e “ colado à realidade ”.
A cena mais conhecida que vem a nossa lembrança é a dos moinhos de vento . Ao avistar cerca de trinta ou quarenta dos moinhos, toma-os por “ desaforados gigantes ”, que precisam ser banidos, pois “ bom serviço fez a Deus quem tira má raça da face da terra ”. Investindo contra os moinhos “ em fera e desigual batalha ” se estropia todo.
Mas é ao se depararem com homens condenados a servir o rei nas galés pela força é que se revela o espírito de Quixote: “o cumprimento de meu ofício é desfazer violências e dar socorro e auxílio aos miseráveis”.
O infatigável e apaixonado Quixote tinha como amada Dulcinéia de Toboso, “ uma rude camponesa ”, que se transformava em uma formosa donzela aos olhos do enlouquecido enamorado. O verdadeiro nome da paixão do Cavaleiro da Triste Figura era Aldonça Lourenço .
A obra se sustenta no tempo devido: “ a perenidade dos grandes valores humanos: o desejo de justiça, o amor, a amizade e o eterno debate sobre loucura e razão ”.
Na quinta edição do Fórum Social Mundial, 2005, o debate mais concorrido foi sobre o tema a “ Utopia em D. Quixote ”, tendo como palestrantes, entre outros, o prêmio Nobel de Literatura José Sarmago e o escritor Eduardo Galeano .
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Sabiamente, Saramago, ao dissertar sobre o tema “Utopia em D. Quixote, após ouvir pacientemente Luiz Dulci e Eduardo Galeano, no “Fórum Social Mundial ”, versão 2005, inicia sua fala da seguinte maneira:
“ Tenho uma má notícia para lhes dar. A má notícia que tenho a vos dar é que eu não sou utopista. E a pior notícia ainda é que considero a utopia, ou conceito de utopia, não só inútil como também tão negativo como a idéia de que, quando morrermos, todos, vamos ao paraíso.”
E acrescenta “ ... o discurso sobre a utopia é o discurso sobre o
não-existente. Toda gente sabe que a utopia é um lugar que está em um lugar qualquer e que, portanto, não se sabe, não se conhece o destino, também não se sabe o caminho para lá chegar. Também não se saberá quando”. É simplesmente o nada, o desconhecível.
A humanidade nos revelou, entre tantos outros, três grandes homens que combateram com vigor e cientificidade o obscurantismo, as seitas, as fantasias, o irreal e a alienação, que foram Karl Marx, Friedrich Engels e Lênin.
Sempre nos aconselharam a atuar no terreno da realidade.
Nada de utopia, essa palavra medieval, que deve ser riscada do vocabulário revolucionário.
Ademais, o socialismo virou fato concreto com o advento da primeira pátria socialista do mundo a União Soviética, a experiência travada por 1/3 da humanidade e hoje com o prosseguimento em países como a China, o Vietnam e Cuba.
Portanto, nós sabemos onde queremos chegar, o que construir e com que classe contar. “
João Martins, cidadão do mundo - 14/11/05 (remessa)
MeuJornal – 19/11/05
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O estado de natureza no referendo do desarmamento
Ludmila Gonçalves Martins
"A análise a seguir é resultado de uma amostragem sobre as motivações pessoais expostas nas cédulas distribuídas no debate sobre o referendo do desarmamento ocorrido no dia 17 de outubro de 2005, evento organizado pelos alunos do 4º período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes): Gláucia da Silva Costa, Ludmila Gonçalves Martins, Patrícia Pereira Gonring e Robson Vieira da Silva. Dos 92% dos votos válidos o “Sim” obteve 54% contra 38% do “Não”,
sendo 8% de votos nulos e em branco.
Da discussão sobre as motivações que levaram as pessoas a escolherem uma das frentes de campanha do desarmamento, como proposto na simulação, o argumento mais propagado por ambos os lados foi o papel do Estado na resolução do problema da violência.
Neste sentido, a doutrina clássica parece comportar a explicação para tal resultado, quando se evoca a questão do estado de natureza e a sua explicação através dos direitos naturais da propriedade e da liberdade pelos contratualistas Locke e Rousseau.
Para Locke, o estado de natureza é uma abstração teórica, cuja característica é de relativa paz e harmonia, porém não sendo este isento de inconvenientes como, por exemplo, a violação da propriedade. Para superar os inconvenientes do estado de natureza, no pensamento lockiano, é função do Estado preservar a liberdade e não interferir na propriedade, sendo o indivíduo mentor da sua vida.
E, este é um dos argumentos mais fortes do “Não”, que faz sua campanha voltada à preservação do direito à legítima defesa do cidadão; e, de acordo com a explicação do voto para esta frente, a mais recorrente foi a de que o Estado está falido e não consegue garantir a segurança pública.
Rousseau, por sua vez, defendia que depois dos homens terem firmado o pacto social, perdiam a liberdade natural em troca da civil. Mas ao contrário de Locke, no pensamento rousseauniano, no processo de legitimação do pacto, os homens se submetem à vontade geral e não a de um indivíduo.
Segundo aqueles que votaram no ‘Sim” ao desarmamento, o Estado deve ser o único detentor dos meios de punição com o fim máximo de garantir a segurança pública em geral, pois ter uma arma não implica segurança.
Ainda se utilizando de Rousseau, este autor trabalha na perspectiva de que o homem nasce bom e o que o corrompe é a posse da propriedade, avaliando esta como a origem da desigualdade.
Neste caso, tanto os que votaram na frente favorável quanto na contrária, argumentaram na possibilidade de haver um aumento na desigualdade social; pois, os que argumentaram pelo “Sim” alegaram que se a compra de arma continuar legalizada, somente a classe dominante será capaz de tê-la e a mesma será usada na defesa de seus privilégios. Já os que defendem o “Não”, argumentam da possível ampliação da desigualdade social amparada na necessidade do aumento em segurança privada.
Assim, tais argumentos revelam as falhas na divulgação do Estatuto do Desarmamento e, portanto, o desconhecimento do mesmo por parte de algumas pessoas desta amostra da população que participou da simulação, uma vez que a norma para o porte legal de arma é extremamente rígida.
Outra face do discurso dos votantes das frentes adversárias se fixa na questão do direito, enquanto a frente do “Não” declara o direito à legítima defesa do cidadão “de bem”, com base de este poder ter a opção de comprar ou não uma arma; a frente do “Sim” assume o direito à vida, salientando que a arma evoca um caráter violento no indivíduo, gerando neste cidadão “de bem” a pretensão, quando de posse da mesma, a matar outrem em situação de conflito.
No mais, a discussão permeia dois fatos relevantes: o que se pretende ao referendar ou não o desarmamento da sociedade civil é a possibilidade de mudança do “status quo” da violência ou essa é apenas uma medida paliativa para encobrir a ineficiência do Estado na resolução do problema da violência, tornando o cidadão “de bem” refém da mesma?
Dessa forma, seja qual for o resultado deste referendo, o ganho social está na possibilidade de a sociedade civil estar discutindo e podendo interferir de maneira direta num assunto polêmico da pauta constitucional brasileira. "
Ludmila Gonçalves Martins é aluna do 4º período do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). E-mail: ludmilamail@gmail.com Texto remetido por Ludmila Gonçalves Martins, estudante, em 20/10/05
MeuJornal - 20/10/05
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“Garotas de programa
As mulheres que a mídia destaca "Em tempos de culto às celebridades, prostitutas conseguem até simpatia social ao assumir publicamente o que fazem." É com este subtítulo que a matéria "De Geni para Tieta" (O Estado de S. Paulo, 9/10) fala de três jovens brasileiras que ganham a vida se prostituindo. E assumindo publicamente o que fazem.
Segundo o jornal, elas aparecem em programas de televisão, têm destaque na internet e até merecem perfil em revistas. Uma delas, segundo o jornal, "já falou para Época, Vip, Sexy e Vogue e seu diário virtual virou tema de reportagem em revistas e cadernos de informática".
As três meninas bem-sucedidas, a ponto de merecerem matéria de página inteira em edição de domingo (uma excelente maneira de divulgar o trabalho e conseguir novos contatos), sorriem para foto, dão seu recado e deixam de fazer parte do mundo marginal que só merece destaque na mídia quando a polícia faz seu trabalho – as famosas batidas de rua com prisão de menores exploradas sexualmente.
Podemos acusar a imprensa de errar ao fazer esse tipo de matéria? Não, porque se é notícia, tem que ser publicada. O erro é glamourizar esse comportamento que, no dizer de qualquer feminista, prejudica a imagem das mulheres e atrapalha a luta por igualdade. O erro é colocar, até com uma ponta de admiração, o fato de essas moças ganharem até 15 mil reais por mês, por certo bem mais do que o salário da autora da reportagem.
Perda do senso crítico
Nesse mundo ideal retratado pela imprensa, tudo parece cor-de-rosa. Até o namorado de Bruna, um ex-cliente, definido como pessoa de maneiras educadas, discurso articulado, usando terno e gravata – Pedro da Bruna, como já é chamado na web –, conta que "se apaixonou por ela assim que a conheceu melhor". Há dois meses mudou para o flat onde ela mora e recebe os clientes. É esse namorado, que se Bruna fosse prostituta das ruas seria chamado de cafetão, quem diz: "Não tenho ciúmes do trabalho dela. Pelo contrário, tenho orgulho de tudo o que ela fez. Bruna virou um marco ao resolver aparecer em público. Querer tirá-la dessa vida agora seria uma prova de preconceito meu".
É o caso de perguntar: se os jornais evitam noticiar suicídios (porque poderia ser considerado um incentivo a outros potenciais suicidas), o tratamento com a prostituição não deveria ser o mesmo? Ao mostrar o "sucesso" de jovens interioranas que saem de casa e vão para os grandes centros se prostituir, a imprensa não estaria mostrando o caminho para outras jovens que sonham em ganhar muito dinheiro e, mais remotamente, com a celebridade?
"A sociedade cultua a celebridade independente do que ela faz. Essa garotas acabam reconhecidas não pelo que elas fazem, mas porque estão famosas", diz a psiquiatra Carmita Abdo ao jornal. O que a psiquiatra não disse é que a mídia tem um papel fundamental nesse culto às celebridades que ela mesma ajuda a criar e divulgar. Na disputa por leitores e espectadores, a mídia perde o senso crítico e vira apenas divulgadora de gente famosa, dando destaque até a atividades que, em outros tempos, seriam motivo de execração pública.
Matéria palatável
Se a desculpa da imprensa para falar da prostituição é registrar um comportamento, deveria, ao menos, aprofundar a discussão, falando mais dos "efeitos colaterais" da atividade. Em momento algum da reportagem é discutido o fato de essas moças fazerem parte dos grupos de alto risco das doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a Aids. E nem o jornal, nem a mídia como um todo, gastam páginas, como aconteceu com a matéria sobre as garotas de programa, para discutir a situação das mulheres que trabalham e que têm que se conformar com salários miseráveis, quando comparados aos 15 mil mensais da agora famosa Bruna.
Pesquisa do Sesi, divulgada em 9/10 – e ignorada pela imprensa – revela:
"Dos 29,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 40% são mulheres. Entre elas, está o melhor nível de instrução. No universo de analfabetos, as mulheres não chegam a 20% e, entre as pessoas com curso superior completo, são maioria (55,9%). Ainda assim, seus salários são inferiores aos dos homens. Dos trabalhadores com renda superior a dez salários mínimos, apenas 32% são do sexo feminino".
Pensando bem, que manchete fariam os jornais com informações desse tipo? Diriam que as mulheres ganham menos do que os homens? Como fazer uma matéria palatável ao grande público discutindo assuntos árduos e que só interessam aos estudiosos e às mulheres, vítimas do preconceito? É muito mais fácil mostrar fotos de mocinhas bonitas e sorridentes que conseguiram "vencer" na carreira. Mesmo que seja uma carreira de que poucas mulheres se orgulham. "
Ligia Martins de Almeida, jornalista - Fonte: Observatório da Imprensa – 12/10/05
MeuJornal - 12/ 10/05
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Recriação da vida “No último domingo, chuvoso e inusitadamente frio para a véspera de primavera, passei lendo poesia. Mais especificamente, dediquei-me à leitura de livros de Carlos Drummond de Andrade. Não se tratou de nenhuma pesquisa para novo trabalho e nem de preparação para fazer alguma preleção na Academia Campinense de Letras ou em alguma escola, para estudantes. Não havia qualquer obrigatoriedade. Foi por puro prazer.
Li para saborear palavras bem selecionadas e habilmente manejadas, como se saboreia um delicioso banquete. A casa estava silenciosa, sem visitas e sem a presença dos filhos, cada um à cata do seu lazer preferido. Meu time do coração, a Ponte Preta, não jogou nesse dia. Quem jogou foi a Seleção Brasileira, que se classificou, com um pé nas costas, para a Copa do Mundo da Alemanha, no ano que vem, com uma goleada de 5 a 0 sobre o Chile. Mas o jogo foi em Brasília e somente no final da tarde. Contava, como se vê, com disponibilidade de tempo, para ser preenchido com o que melhor me aprouvesse. E foi o que me aprouve.
Além de ser poeta (possivelmente medíocre), gosto de ler poesia. Em parte como uma espécie de exercício jornalístico. O saudoso jornalista Cláudio Abramo recomendava aos editores, para adquirir o necessário domínio vocabular e o senso de precisão exigidos em uma edição, especialmente na titulação de matérias, que tivessem essa espécie de leitura. Que lessem versos, principalmente para desenvolver o ritmo. A princípio pensei que se tratasse de brincadeira do mestre. Mas fiz a experiência. E, como sempre, ele tinha razão. Mas não é só por isso que gosto de ler poesias.
Leio os grandes poetas sobretudo por prazer. Especialmente quando se trata de Carlos Drummond de Andrade, de quem tenho todos os livros que publicou, além de vastíssima coleção de crônicas de quando escrevia para o "Jornal da Tarde" e outros jornais, de outras partes do País, cujos textos publicados me foram gentilmente enviados por amigos. Tenho uma infinidade deles. No domingo pude fazer, portanto, essa jornada sentimental, esquadrinhando minhas emoções mais íntimas.
Há um jeito muito especial de ler poesia. É um processo de recriação. A cada nova leitura, encontramos significados diferentes nos versos. Descobrimos novas nuances, que antes não havíamos vislumbrado. Saboreamos cada metáfora, como se fosse um delicioso e novo quitute. E quem disse que não são? Nunca o significado é o mesmo. É como se lêssemos um poema diferente, embora seja o mesmo lido às vezes dezenas de vezes.
Pablo Neruda, em "A Palavra", constata em certo trecho: "...Vocábulos amados./Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho./Persigo algumas palavras./São tão belas que quero colocá -las todas em meu poema./Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como gatas, como azeitonas./E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as/Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda./Tudo está na palavra..."
É verdade. Nas mãos de artesãos hábeis, esta frágil matéria-prima, que aparentemente dá tão poucos recursos ao artista, permite a construção de mundos nos quais gostaríamos de aportar e viver para sempre, longe da fria e feia realidade do cotidiano.
Veja o leitor como o poeta enxerga o aparentemente trivial, nestes versos de Drummond, do poema "Família": "Três meninos e duas meninas,/sendo uma ainda de colo./A cozinheira preta, a copeira mulata,/o papagaio, o gato, o cachorro,/as galinhas gordas no palmo de horta/e a mulher que trata de tudo.//A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,/o cigarro, o trabalho, a reza,/a goiabada na sobremesa de domingo,/o palito nos dentes contentes,/o gramofone rouco toda a noite/e a mulher que trata de tudo.//O agiota, o leiteiro, o turco,/o médico uma vez por mês,/o bilhete todas as semanas/branco! mas a esperança sempre verde./A mulher que trata de tudo/e a felicidade".
Pois é, Drummond pintou nada mais que o retrato da vida de cada um de nós, com uma diferença aqui, outra ali, mas que é basicamente assim. Essa mesma que nos abate o corpo e angustia o espírito. Essa, eivada de problemas, cujas dimensões costumamos ampliar. Essa, repleta de frustrações, que não resistem à mais simples das análises. Essa que na essência é a matéria-prima do nosso trabalho jornalístico.
Falta-nos, no cotidiano, a visão do poeta. Carecemos do filtro da arte, que de acordo com o compositor Claude Debussy, "é a mais bela das mentiras", mas que nos permite enxergar que a felicidade que procuramos alhures, está onde sempre esteve: ali, conosco, debaixo do nosso nariz, sem que sejamos capazes de a ver.”
Pedro J. Bondaczuk, jornalista e escritor – Comunique-se – 09/09/05
MeuJornal – 10/09/05
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Távola Ramos valoriza a arete
em Nhenhenhém
Nhenhenhém é livro de Távola Ramos
que chega à segunda edição, de 10.000 exemplares,
apenas cerca de um ano após seu lançamento.
Ao longo de 85 páginas de crônicas e poemas Távola
Ramos - pseudônimo de ativo líder comunitário
capixaba e autoridade em informática - privilegia a arete,
“ um atributo da excelência humana, a beleza de caráter
que orienta a práxis (a ação cotidiana) humana
para o bem, é enfim a unidade suprema de todas as excelências”.
Nas últimas páginas da obra, Távola Ramos
colocou um longo e belo poema sobre os amigos, dissertando sobre
praticamente todos os tipos possíveis de amizades que alguém
pode encontrar.
Embora sem autorização – epa! - do autor
ou da editora (Usina de Letras - Editora Nacional), MeuJornal
reproduz a parte final do belíssimo Amigos:
- Amigos.../Que me perdoem os auto-suficientes/E os que
não precisam de ninguém,/E os que se amam demais,
não são carentes/E os que se tratam sempre muito
bem/Que me perdoem os mais coerentes/Mas a felicidade que eu procuro/Minha
felicidade de além-muro/Está no outro que me completa:/E
cada amigo é a pessoa certa/de que eu preciso pra ser feliz../Que
me perdoem os bem resolvidos/E os que vivem pros seus umbigos:/Eu
gosto mesmo é dos meus amigos.
MeuJornal declara aberta a temporada de busca e encontro
com o Nhenhenhém.
Dino
Gracio – MeuJornal – 23-07-05
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Células-tronco, biossegurança e bioética
Um dos assuntos mais controversos dentro do atual debate sobre
biossegurança, a manipulação de células-tronco
desperta o receio de alguns setores e estudiosos de uma ameaça
à ética biológica. Até que ponto as
pesquisas podem, de fato, ajudar no tratamento e na prevenção
de doenças e até que ponto esbarram nos limites
– necessários – da bioética?
Os cientistas acreditam que a utilização de células-tronco
na medicina representa a possibilidade de melhorar o tratamento
e até mesmo a prevenção e a cura de algumas
doenças, como o mal de Parkinson, o câncer e problemas
cardíacos sérios. Pesquisas demonstram que as células-tronco
têm a capacidade de se transformar em qualquer outra célula
do corpo humano e, por isso, podem ajudar na reconstituição
de alguns tecidos danificados.
O tema, entretanto, causa polêmica em diversos países.
Recentemente, nos dias 12 e 13 de junho, um referendo sobre reprodução
assistida e pesquisa em células-tronco levou a população
a se posicionar em relação ao assunto na Itália.
A consulta à população foi precedida de vários
debates de caráter ideológico na imprensa italiana,
mas, com a pressão da Igreja Católica, o resultado
do referendo manteve as rígidas leis do país sobre
a fertilização assistida.
Respaldo do governo
No Brasil, a manipulação genética de embriões
já é uma realidade com respaldo oficial. O governo
federal inicia até agosto o financiamento das primeiras
pesquisas no Brasil com células-tronco embrionárias.
Serão R$ 11 milhões oferecidos pelo governo para
o desenvolvimento de novos estudos com embriões. A oferta
dos recursos, feita por meio de editais de concorrência
pública dos ministérios da Saúde e da Ciência
e Tecnologia, destina-se também a financiar estudos com
células-tronco derivadas da medula óssea, de cordão
umbilical e de outros tecidos.
As primeiras pesquisas deverão ter início em agosto
e terão de ser desenvolvidas em até um ano. Para
distribuição dos recursos e escolha dos centros
que receberão o financiamento, serão observados
critérios socioeconômicos. No mínimo 30% das
verbas serão destinadas a regiões menos desenvolvidas
do país, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Angélica Pontes, coordenadora de biotecnologia do Departamento
de Ciência e Tecnologia do Ministério de Saúde,
ressalta que, antes da utilização para fins terapêuticos,
os estudos com células-tronco deverão cumprir diversas
etapas: pesquisa básica (in vitro), pesquisa pré-clínica
(em animais de laboratório) e pesquisa clínica (em
seres humanos) – essa última em caráter ainda experimental.
“Todas essas etapas são sujeitas aos aspectos éticos
e legais, e a aplicabilidade da terapêutica dependerá
dos resultados obtidos nas pesquisas”, garante.
Os resultados esperados são: avanços no conhecimento
em relação aos princípios fundamentais da
terapia celular; comprovação do potencial das células-tronco
para o tratamento de doenças diversas; melhoria no conhecimento
dos sistemas biológicos e, ainda, prevenção,
detecção e/ou tratamento de doenças; otimização
e maximização do uso da infra-estrutura de pesquisa
já instalada no país em torno de temas relevantes
para a área da medicina e ampliação da competência
humana em áreas específicas e afins, por meio da
formação de pessoal especializado.
Uso de embriões
A utilização de células-tronco de embriões
in vitro nas pesquisas brasileiras foi permitida com a aprovação,
em março, do Projeto de Lei 2.401/2003 – conhecido como
PL de Biossegurança – pela Câmara dos Deputados,
com algumas restrições: só poderão
ser utilizados embriões doados com o consentimento dos
genitores e que sejam inviáveis para implantação
no corpo humano ou estejam congelados há pelo menos três
anos, prazo após o qual não podem mais ser usados
para fertilização. A lei proíbe ainda o comércio
desses embriões, a manipulação genética
e as clonagens humana e terapêutica.
Na opinião da bióloga Marlene Boccatto, doutora
em genética e especialista em bioética, o uso das
células-tronco que não serão utilizadas na
fertilização assistida é um grande avanço
para as pesquisas e as terapias. “Visto que essas células
seriam inutilizadas, por que não proporcionar a cura, ou
pelo menos uma esperança de cura, para diversos tipos de
doenças? Sem contar com o desenvolvimento das pesquisas
em diferentes áreas.”
Para muitos, no entanto, as restrições impostas
pela lei não são suficientes para esgotar o debate
ético em torno do assunto. No final de maio, o procurador-geral
da República, Claudio Fonteles protocolou no Supremo Tribunal
Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin) contra o artigo da Lei de Biossegurança que permite
pesquisas com células-tronco embrionárias congeladas
por pelo menos três anos. Na ação, Fonteles
alegou que há vida a partir da fecundação
e que realizar experiências com embriões desrespeita
as garantias constitucionais de inviolabilidade ao direito à
vida e de dignidade humana.
De acordo com o secretário geral da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Odilo Pedro Scherer,
os limites estabelecidos pela Lei de Biossegurança quanto
à pesquisa com embriões humanos não asseguram
o respeito à vida do embrião. “Para obter células-tronco
embrionárias humanas, é necessário matar
o embrião. Não importa se ele é produzido
in vitro e se está congelado há mais de três
anos: continua sendo um ser humano. E se é assim, sua vida
deve ser respeitada. Por esse motivo, a CNBB considera que a lei
que libera o uso de embriões humanos para a pesquisa com
células-tronco embrionárias é inaceitável,
além de ser contrária à Constituição,
onde se prevê a proteção da vida humana desde
a sua concepção. O fato de o Congresso ter aprovado
essa lei não a torna boa”, critica Dom Odilo.
Dom Odilo teme ainda que a lei aprovada acabe desencadeando a
produção de embriões para fins de pesquisa.
“Quem controla as clínicas de fertilização
in vitro? O ser humano vai virar mercadoria. Já é
um sério problema constatar que há ‘estoque' de
embriões por aí”, alerta. Marlene Boccatto ressalta
que quando se fala em células-tronco imediatamente se discute
sobre o início da vida. “Tanto em termos científicos
como religiosos, não é possível chegar a
um consenso, e eu defendo a discussão não da vida
biológica, mas da vida com dignidade. Além disso,
devemos pensar que, os pré-embriões já existentes
serão eliminados de qualquer maneira, então por
que não utilizá-los para curar ou salvar uma vida?”
Pesquisas com células-tronco adultas já têm
sido realizadas no Brasil com o apoio governamental – e, ao contrário
das pesquisas com células-tronco embrionárias, com
a aprovação de diversos setores. A etapa clínica
do maior estudo no mundo com células-tronco adultas para
tratamento de cardiopatias teve início neste mês,
também com o apoio do Ministério da Saúde.
Serão investidos R$ 13 milhões para o tratamento
de 1,2 mil pacientes com problemas do coração. Se
for comprovada a efetividade do uso das células-tronco
no tratamento de doenças cardíacas, isso pode significar
uma redução de cerca R$ 37 milhões por mês
nos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS).
O secretário geral da CNBB defende as pesquisas com células-tronco
adultas, tiradas do cordão umbilical e de outras partes
do corpo. Quanto a estas não há contra-indicações
éticas, segundo ele.
Informação e riscos
O debate sobre manipulação genética de embriões
inclui ainda a possibilidade de se abrir caminho para a clonagem
reprodutiva. Autora de livros sobre genética humana e bioética,
a médica Fátima Oliveira vê como avanço
a aprovação da Lei de Biossegurança, mas
defende que é necessário impor, sem fundamentalismos,
limites à ciência em respeito às gerações
futuras. “Exigir ética na ciência é parte
da luta pelos direitos humanos; o que não é monopólio
de posturas retrógradas e anticiência”, ressalta.
Fátima enfatiza ainda a necessidade de ampliar e aprofundar
essa discussão na sociedade. No livro “Bioética:
uma face da cidadania”, afirma que “é um crime contra a
humanidade a atitude de negar à sociedade, em especial
à nossa juventude, a oportunidade de acesso ao saber e
às reflexões bioéticas, sobretudo quando
se reconhece que o mundo passa por profundas transformações.
É uma questão ética fundamental o dever que
os governos têm de abastecer seus cidadãos com informações
necessárias, para que assim possam exercer o direito de
saber e a responsabilidade de decidir. Sem informação
a sociedade não tem como realizar o controle social e ético
sobre os novos saberes e poderes das biociências”.
O conhecimento do assunto pela população, concorda
Marlene Boccatto, é fator fundamental para definir os rumos
das pesquisas. “A base para evitar quaisquer riscos, científicos
ou não, é a conscientização e a ação
da sociedade sobre qualquer área”.
Mariana Loiola - Fonte: Revista
do Terceiro Setor
– 24/06/05
MeuJornal – 25/06/05
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O luxo explica a miséria
A Daslu vista da favela
"O repórter Fred Melo Paiva passou uma semana na
favela Funchal, conjunto de barracos vizinhos à nova sede
da loja Daslu, o mais reluzente templo do consumo de luxo na América
Latina. Com imagens dos fotógrafos Vidal Cavalcanti e Evelson
de Freitas, ele produziu no domingo (12/6), para o caderno "Aliás,"
do Estado de S.Paulo, um retrato magistral do Brasil que a imprensa
não costuma enxergar.
Com criatividade e o corajoso respaldo de seu editor, Fred dá
voz a moradores da favela e coloca o dedo na hipocrisia e na babação
que a mídia até então vinha devotando ao
imenso caixote de concreto erguido junto à Marginal do
Rio Pinheiros, onde um casaco pode valer mais do que um barraco
de dois andares na comunidade vizinha.
"Caríssima Eliana, se a senhora subir no heliporto
da Daslu, vai ver a gente aí de cima. Ó nóis
aqui, ó!", rasga a manchete, diluída em linha-fina
e seguindo, como numa carta, na qual os favelados entrevistados
pelo jornalista convidam a empresária a conhecer um pouco
da vida que se passa ali, entre barracos e vielas enlameadas.
Fred não tem complacência. O dono do boteco, o vigia
de carros, a jovem traficante, ex-miss Penitenciária cuja
libertação recente é festejada com churrasco
de capa de filé, todos desfilam seus depoimentos na linguagem
coloquial que ele registrou e reproduz, cuja leitura remete imediatamente
a um país que não se lê nos jornais.
"Se precisar..."
O que se havia dito da Daslu, até então, era pouco
mais do que o provinciano desfile de admirações
sobre o valor do empreendimento, a relação das grifes,
a influência da proprietária, Eliana Tranchesi, no
mercado internacional da alta moda. Vista da favela, a loja de
luxo parece exatamente o que é: um acinte diante das desigualdades
sociais do país, que a imprensa tem preferido ver pelas
lentes frias das estatísticas.
Ao dar voz aos favelados, Fred Paiva de certa forma resgata uma
qualidade perdida do jornalismo que Gabriel García Márquez
tenta resgatar junto a seus pupilos da Fundação
para o Novo Jornalismo Ibero-americano – a capacidade de contar
histórias pela palavra dos seus protagonistas, e não
pelo viés do jornalista.
O que vaza do texto é o olhar dos moradores, sua visão
quase ofendida de um luxo que quase explica a miséria em
que vivem. Um a um desfilam, como nas passarelas da moda, os dramas
dos excluídos.
Pelo menos quarenta deles trabalharam na construção
daquele palácio do consumismo. Terminou a obra, acabou
trabalho. Mas o texto não revela ressentimentos. Refere-se
de passagem ao fato de a filha do governador de São Paulo
ter um emprego na loja e faz pensar em relações
incestuosas com o poder. E transcorre até o fim como principiou:
o repórter passeia pelas vielas, mostra a faixa na qual
se conta que a renda mensal de toda a comunidade não dá
para comprar um vestido na Daslu e encerra renovando o convite
dos favelados à empresária:
"Se precisar de alguma coisa, tamo aqui embaixo".
Luciano Martins Costa, Jornalista
- Observatório
da Imprensa – 15/06/05
MeuJornal - 15/06/05
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“Ufólogos têm encontro com Força
Aérea Brasileira
Num encontro inédito entre ufólogos a Força
Aérea Brasileira (FAB), os militares reconheceram que Ufologia
é coisa séria e merece atenção. O
encontro ocorreu no fim de maio em Brasília, como resultado
da campanha civil UFOs: Liberdade de Informação
Já, conduzida pela Comissão Brasileira de Ufólogos
(CBU), através da Revista UFO.
UFO é a única publicação brasileira
especializada em Ufologia, uma verdadeira referência na
área há 21 anos. Ela circula em todo o país
e Portugal e está por trás dos maiores acontecimentos
da Ufologia nacional. A revista é produzida mensalmente
pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV),
uma das maiores
ONG dedicadas à Ufologia do mundo, aberta ao público.
Visite o site da Revista UFO e acesse gratuitamente o maior
acervo de Ufologia em língua portuguesa da atualidade.
Você terá a sua disposição artigos,
debates, opiniões, teses, estudos, fotos, vídeos
e uma infinidade de recursos multimídia. Além de
documentos oficiais que comprovam a atuação dos
militares brasileiros na questão dos discos voadores.
Um centro de pesquisas aberto ao público.
Se você quiser se engajar na investigação
científica dos UFOs, ingresse no Centro Brasileiro de Pesquisas
de Discos Voadores (CBPDV) e faça parte da comunidade ufológica
nacional. Você terá acesso a eventos em todo o país,
a produtos ufológicos de qualidade com descontos e a uma
identificação em forma de carteira plástica,
como um cartão de crédito.
Agora que a Ufologia está devidamente reconhecida por
nossas autoridades, esta é a oportunidade de você
conhecer tudo sobre o impressionante mistério dos discos
voadores e seus tripulantes em missão na Terra. Leia a
Revista UFO e filie-se ao CBPDV.”
Fonte -
Revista UFO - 04/06/05
MeuJornal - 05/06/05
____________________________________________________________
Yvon de Araújo Yung-Tay e seu sonho com Jesus
Cristo
Nota do Editor:
Conheci Yvon de Araújo Yung-Tay há cerca
de um mês, quando ele tomava as últimas providências
para apresentar, num seminário, trabalho dele sobre geração
de energia elétrica através do movimento das ondas
do mar - é sério.
Propus a Yvon publicar o tema do seu trabalho em MeuJornal mas
não tive resposta.
Sexta, 27, encontrei mais uma vez o Yvon que olhou calmo
e firme para mim e disse:
-Tive um sonho com Jesus Cristo e escrevi isso. Se o senhor
achar bom, pode publicar em seu jornal (MeuJornal).
Dois amigos meus, próximos, não entenderam nada.
MeuJornal publica - a primeira parte - do artigo do Yvon.
Dino Gracio
...........................................................................
“Sonhei com nosso Senhor Jesus Cristo, que alertou novamente
a humanidade, mandando descruzarmos imediatamente os braços
enquanto é dia. Porque, se não o fizermos enquanto
é dia, depois vem a noite e poderá ser tarde demais:
“O sol poderá escurecer; a lua poderá não
dar a sua luz, e nós poderemos não encontrar mais
outra morada na casa do Nosso Pai Celestial”. Pois ninguém
deve ficar escanchado em cima do muro – só chamando Senhor,
Senhor, da boca para fora – assistindo de camarote ao circo pegar
fogo.
Ele relembrou que já nos deu exemplo, já nos ensinou
e já nos ordenou, para que façamos como Ele fez,
pois “Ninguém pode servir a dois senhores; ou há
de ODIAR a um e amar o outro, ou se devotará a um e DESPREZARÁ
o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.
Jesus Cristo quer que contra-ataquemos, com unhas e dentes e com
o máximo de prioridade e de urgência, o maldito retrocesso
do pecado original da MÁ DISTRIBUIÇÃO E DA
CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA (provocado pela mutação
genética usurária que aconteceu na marcha evolutiva
do Homo habilis, durante o período Paleolítico ou
da Idade da Pedra Lascada, que foi de 600 mil a 10 mil a.C.) ,
em que o humano começou a privatizar a pureza do ar, da
água e da terra, delimitando a liberdade das crianças,
dos jovens, dos adultos e dos idosos, de irem e virem a qualquer
hora, para ser alimentarem com o suor do próprio rosto.
Porque esse retrocesso da ânsia exagerada de ganho, segundo
a Arqueologia Pré-histórica, tem induzido a EXPLORAÇÃO
DO HOMEM PELO HOMEM, desde o passado remoto, quando começou
a inventar o instrumento de caça, pesca e guerra; a utilizar
o fogo; a dominar, a delimitar e a se apropriar de áreas
mais ricas em caça e pesca,etc.
Como enfatizou Jesus, só há uma maneira de a humanidade
acelerar o seu aperfeiçoamento genético, consertando
o retrocesso evolutivo da sua ambição exagerada,
que é através da transformação e da
modificação dos genes e neurônios como a mente
das criancinhas (“Em verdade, vos declaro, se não vos transformardes
e não vos tornardes como criancinhas, não entrareis
no Reino dos Céus”). E veja que: “Não vem o Reino
de Deus com visível aparência. Nem dirão:
ei-lo aqui! Ou lá está! Porque o Reino de Deus está
dentro de vós”.
O que Jesus Cristo quer, é que não se perca mais
tempo, e se lute, acima de tudo, pela evolução do
aperfeiçoamento psicossocial dos que buscam o Bem. Portanto,
como enfatiza Nosso Senhor Jesus Cristo: “Se teu olho direito
é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe
de ti, porque te é preferível perder um só
de teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na
geena. Se tua mão direita é para ti causa de queda,
corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível
perder-se um só de teus membros, a que o teu corpo inteiro
seja atirado na geena. Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós
não podeis suportar agora. Mas, quando vier o Espírito
da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade”.
A única saída é deixarmos a hipocrisia e/ou
a covardia de lado, e fazermos como Ele exemplificou, com um chicote
de corda na mão, contra-atacando e desmascarando o centro
político-religioso e financeiro de Jerusalém (o
que equivale, atualmente, no sentido figurado, ao centro ideológico
do G/7 e das principais Corporações Multinacionais,
que impõem desumanamente o pagamento das escorchantes dívidas
interna e externa); condenando ao fogo do inferno, preparado para
o demônio e os seus anjos, os oportunistas e tapeadores,
que sobrecarregam o povo com cagas insuportáveis de transportar
e nem com a ponta de um dedo o ajudam; condenando os desalmados
doutores da lei, que tomaram a chave da ciência, e eles
mesmos não entraram, e impediram aos que vinham para entrar;
e mandando cortar e jogar no fogo do inferno toda árvore
que não dá bom fruto, para que não continue
com a corrupção, impunidade, violência, etc.
“
(Continua em próxima edição)
Yvon de Araújo Yung-Tay
(27-05-05) - Professor
de História e autor dos livros Jesuísmo
(25,00) - Resenha Referencial do Jesuísmo (15,00)
e o Cartaz Colorido da Revolução de Jesus Cristo
(5,00)
obrasà venda no SINDIUPES - Rua Wilson Freitas, nº
196 – Centro
- Vitória/ES – Fone: (27) 3223-2400
MeuJornal (29-05-05)
____________________________________________________________
A Globo pouco conhecida
“TV globo, 40 anos. Nada a comemorar.”
"Na terça-feira 26/4 a Rede Globo de Televisão
comemorou 40 anos de vida. Muita gente graúda da elite
cultural e política do país aproveitou a ocasião
para mostrar a "imensa" gratidão do Brasil com
a emissora que – entendem eles – expressa como ninguém
esse contraditório e tropical país. Mas nós
não comemoramos. Pelo contrário, usamos a data para
lembrar, protestar e expor à sociedade que a Rede Globo
não é apenas o rosto bonito do Rodrigo Santoro ou
a simpatia da Suzana Vieira.
Em vários lugares do Brasil, capitais e no interior, a
sociedade civil organizada preparou atos públicos para
contestar a "versão oficial da história"
– uma versão que foi construída pela própria
emissora aniversariante. Porque, após 40 anos, é
preciso que alguém diga, para que todos saibam, que a Rede
Globo não é uma empresa cuja marca é a produção
de um jornalismo isento e imparcial, o qual se materializa no
Jornal Nacional da Fátima Bernardes e do William Bonner.
Muito menos é um grupo que – como eles próprios
reivindicam – defende o conteúdo brasileiro do perigo estrangeiro.
A Globo é, acima de tudo, uma organização
política, que atua nos bastidores dos governos brasileiros
(sejam eles democráticos ou ditatoriais) em busca de garantir
a execução de seus interesses. E que, não
uma ou outra, mas muitas vezes, jogou contra a vontade da maioria
da população para garantir o seu quinhão.
A edição do debate entre Collor e Lula veiculada
no Jornal Nacional dias antes da eleição de 89 (que
apresentava os bons momentos do alagoano e os maus do hoje presidente
da República) e a total omissão da emissora diante
das mobilizações pelas Diretas Já em 1984
(chegando a afirmar que o histórico comício pró-diretas
no Vale do Anhangabaú era uma comemoração
do aniversário de São Paulo) são bons exemplos
desta prática.
Como a lua
As empresas que fazem parte do grupo Globo constituem um pequeno
império na mídia brasileira. Atualmente a Vênus
Platinada chega a mais de 99,8% do território e da população
brasileiros. São ao todo cinco emissoras próprias
(com sede nas cidades de São Paulo, Brasília, Rio
de Janeiro, Belo Horizonte e Recife) e mais 108 emissoras afiliadas.
Dados do Ibope revelam que na semana de 4/4 a 10/4 a Globo teve
os cinco programas mais assistidos da TV aberta, com audiência
variando entre 35% e 47%.
Hoje o grupo possui emissoras de TV, jornais que geraram de receita
líquida, em 2002, de 159,5 milhões de reais, 15
emissoras de rádio, participação nos grupos
de televisão por assinatura Net e Sky, uma editora com
11 títulos de revistas, um portal eletrônico e duas
gravadoras (Som Livre e RGE). No caso de sua atuação
na TV a cabo, o grupo detém canais (Sportv 1 e 2, GNT,
Multishow, Globo News, os 5 Telecines, Universal, Canal Brasil
e Futura) e a operadora Net. Todo este complexo vem sendo usado
também pelo grupo para oferecer outros serviços,
como internet de banda larga (o novo serviço Vírtua).
A Globo é como a lua. Possui uma face brilhante. Essa
que invade nossas casas noite e dia e que gera fascínio
e admiração. Mas possui uma outra face, obscura,
que pouca gente conhece. E é justamente aí que mora
o perigo. A Rede Globo de Televisão, surgida há
40 anos de um golpe econômico internacional orquestrado
pelo seu proprietário Roberto Marinho e pelo governo militar
que assombrou o Brasil por duas décadas, é a materialização
da elite mais atroz que domina essas terras há 500 anos.
Na época, a emissora recebeu um apoio considerável
da empresa de mídia estadunidense Time, ação
que era proibida pela legislação, mas que foi permitida
pelos militares com o intuito de consolidar uma rede nacional
de televisão que levasse aos lares do Oiapoque ao Chuí
a "identidade cultural brasileira", principalmente aquela
que valorizava a ditadura.
Normas caducas
Uma elite capaz, extremamente preparada (para usar um termo costumeiramente
adotado pelos defensores do neoliberalismo), que se sente responsável,
inclusive, por determinar simbolicamente o que foi o nosso passado,
o que é o nosso presente e o que será o nosso futuro.
Nesses protestos, denunciamos a Rede Globo de Televisão
como o principal instrumento dessa elite – os donos do poder –
composta por políticos e empresários que atuam nacionalmente
ou regionalmente – as chamadas oligarquias (muitas delas proprietárias
de empresas de comunicação que fazem parte do sistema
global).
Quando a Constituição Federal foi aprovada em 1988,
o presidente da República era José Sarney, que –
ora vejam só! – vem a ser a ser justamente um empresário
de comunicação controlador da afiliada da Globo
no Maranhão. O ministro das Comunicações,
por sua vez, era Antonio Carlos Magalhães, "dono"
da Globo baiana. Não à toa, todas as tentativas
de democratizar o sistema de comunicações brasileiro
avançaram quase nada.
É justamente por esse motivo que, em entrevista recente,
o todo-poderoso da emissora, Roberto Irineu Marinho, afirmou que
a legislação de comunicações no Brasil
é "espetacular". Irineu se refere a uma legislação
que foi aprovada na década de 60, pelos militares que comandavam
o Brasil. Além de caducas, se levarmos em consideração
as mudanças tecnológicas e políticas pelas
quais passou o país nos últimos 40 anos (e que a
Globo, em spots na programação, diz ter acompanhado),
as normas que regulam a radiodifusão no Brasil foram feitas
para garantir a perpetuação dos grandes meios.
Na gaveta
Um exemplo é o fato de serem necessários votos
de 3/5 dos parlamentares do Congresso para não renovar
uma concessão. Este dispositivo garante que haja renovação
praticamente automática e que pareça, para a maioria
da população, que a Globo está aí
há 40 anos porque é dona do canal. Na verdade, ela
recebe uma concessão pública para utilização
do espectro eletromagnético onde passam as ondas que possibilitam
a chegada do conteúdo emitido pelas antenas das emissoras
de TV aos lares da população. Mas a dificuldade
de alterar a "eternidade" das concessões não
se dá apenas pela exigência de quórum alto.
Atualmente, do total de 81 senadores, 36% estão diretamente
ligados a veículos de comunicação – 14 dos
17 senadores do PFL; 11 dos 23 senadores do PMDB; 8 dos 11 senadores
do PSDB. Muitos deles, com negócios diretamente envolvendo
a Rede Globo. Na Câmara dos Deputados, o cenário
não é muito diferente. Essa verdadeira tropa de
choque, que envolve políticos de todos os matizes ideológicos,
é sustentáculo dos interesses da família
Marinho no parlamento brasileiro e torna quase impossível
a mudança na propriedade dos canais abertos da TV brasileira,
principalmente da Globo.
É evidente, portanto, que, com essa correlação
de forças, projetos como o PL 256 de 1991, da autoria da
deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que trata da regionalização
da programação cultural, artística e jornalística
das emissoras, permaneça na gaveta, acumulando mofo. Para
quem acha que esse texto é um tanto quanto exagerado, convidamos
a fazer uma visita ao Conselho de Comunicação Social
(órgão que "assessora" os senadores quando
o assunto é comunicação). Lá, poderão
ver em ação os lobistas e o presidente da Abert
(Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão), uma entidade criada para defender institucionalmente
os interesses dos Marinho, que se destaca pela cruel perseguição
que faz às rádios comunitárias.
Muito a protestar
Quando o CCS aprovou um requerimento favorável ao projeto
de regionalização da deputada Feghali, os representantes
da Globo garantiram que usariam de todos os artifícios
para impedir que ele tramitasse e fosse aprovado, numa clara demonstração
de que a emissora não abandonou as práticas ditatoriais.
São as mesmas de 40 anos atrás. Esse tipo de postura,
no entanto, não fica restrito aos bastidores. Muito do
que é discutido e definido politicamente pela emissora
é depois trabalhado "jornalisticamente" e exibido
ao público.
Um caso recente é o do projeto da Agência Nacional
do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), proposto pelo Ministério
da Cultura. Como se tratava de um projeto que pretendia democratizar
a produção de conteúdo audiovisual, e que,
por isso mesmo, contrariava alguns interesses (nem todos) da Rede
Globo, foi achincalhado em longas matérias nos telejornais
do grupo, nos jornais do grupo, nas rádios do grupo. Paralelamente
a isso, a tropa de choque no Congresso, os lobistas e a infantaria
circulavam por dentro do governo ameaçando e coagindo os
autores da proposta.
Queriam implodir o projeto. E conseguiram. Mas não conseguiram
evitar que o debate permanecesse, e agora, com a discussão
do Projeto de Lei Geral de Comunicação de Massa,
o embate vai recomeçar. É por esses e outros motivos
que voltamos a reafirmar que não temos nada para comemorar
na data em que a Globo comemora 40 anos.
Temos muito a questionar, muito a protestar, porque queremos uma
comunicação mais democrática no Brasil. E
isso só vai ocorrer quando a face obscura do monopólio
dos Marinho vier à tona e quando a comunicação
for encarada como um direito de todos e todas.
Rodrigo Savazoni e Jonas Valente,
integrantes do Intervozes – Coletivo Brasil de
Comunicação Social– Fonte: Observatório
da Imprensa – 04/05/05
MeuJornal: 05/05/05
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Enquanto seu lobo não vem
aumenta prestígio literário de Beatriz Abaurre
Lançado 27 de abril, terça, na Assembléia
Legislativa, Enquanto seu lobo não vem, de Beatriz
Abaurre, é livro de contos de refinada qualidade.
Por muitos anos violinista e violista da orquestra Filarmônica
do Espírto Santo, Beatriz já tem lugar garantido
entre os bons nomes da literatura capixaba com a autoria de livros
infantis e infanto-juvenis, ensaios e crônicas.
Enquanto seu lobo não vem é dividido em
três partes – Terra vermelha, O sol na minha pele e Colhidos
pela Correnteza e reúne 28 contos, escritos em épocas
diferentes e com foco na vida da autora.
Enquanto as duas primeiras partes do livro têm maior foco
autobiográfico, a terceira apresenta a escritora em bem
sucedidas incursões nos estilos policial, místico
e fantástico.
Enquanto seu lobo não vem, de Beatriz Abaurre,
é uma boa leitura.
Ei, D. Beatriz, manda um livro pro MeuJornal ! O que eu lí
foi emprestado !
Dino Gracio – Meu Jornal (
29/04/05)
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Força para
Amor das Minhas Vidas
Em 12-4-05, terça, MeuJornal recebeu a mensagem:
“Boa tarde, sou escritora e acabei de escrever meu primeiro romance.
Estou buscando divulgá-lo na esperança de despertar
o interesse de alguma editora ou patrocinador para minha obra.
No Brasil, infelizmente, existe muita dificuldade para os novos
autores conseguirem editar suas obras.
Gostaria de sugerir uma matéria falando desse assunto.
Segue abaixo a sinopse de meu livro.
Muito obrigada pela atenção e apoio.
Rose Elizabeth T. de Mello Comenho
rscomenho@uol.com.br
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Resumo da Obra – Amor das Minhas Vidas
Autora: Rose Mello
“Rosana é uma executiva bem sucedida, que ocupa um cargo
importante na filial em São Paulo de uma multinacional
da área de informática. Bonita, jovem e rica, sempre
foi muito prática e racional, conduzindo tudo ao seu redor
com planejamento e organização.”
Rosana é uma executiva bem sucedida, que ocupa um cargo
importante na filial em São Paulo de uma multinacional
da área de informática. Bonita, jovem e rica, sempre
foi muito prática e racional, conduzindo tudo ao seu redor
com planejamento e organização.
Profissionalmente havia conquistado o sucesso, que se estendia
também à sua vida pessoal. Filha única de
um casal de fazendeiros, possuía laços fortes de
amor e respeito com seus pais.
Era querida pelos amigos e mantinha uma relação
estável com Roberto, seu namorado, um médico que
era completamente apaixonado por ela.
Sua vida era cercada de harmonia e tranqüilidade.
Até que um dia, um grande temporal atinge a cidade, e
acaba colocando Rosana diante de um homem com o poder de abalar
toda sua sólida estrutura construída ao longo dos
anos. Um encontro surreal, que tira Rosana de seu eixo e faz com
que sua vida jamais volte a ser a mesma. As circunstâncias
desse momento são inacreditáveis e levam Rosana
a colocar em dúvida sua própria sanidade mental.
A partir desse dia ela terá que se defrontar com seus
valores mais profundos, como também, aceitar e enfrentar
seus medos e reconhecer sua fragilidade diante da vida. Seu cepticismo
cairá por terra, deixando-a sem condições
de negar os fatos.
Em meio ao turbilhão de acontecimentos que envolverão
seu cotidiano, contará sempre com o apoio de Fernanda,
sua colega de trabalho, grande amiga e confidente.
Juntas viverão momentos divertidos de felicidade quase
infantil, e situações onde a força de ambas
será fundamental para superar a dor.
Fernanda namora Gilberto, um professor de educação
física com temperamento reservado e enigmático,
que surpreenderá a todos que com ele convivem.
Diante dos desafios impostos pela situação, Rosana
descobrirá existir dentro dela uma personalidade até
então desconhecida esperando apenas o momento certo para
se revelar.
Aprenderá sobre o amor verdadeiro, sobre a fé,
coragem e resignação.
E seu maior duelo será para sobreviver à si mesma.”
-----------------------------
É isso aí, força para o livro da Rose
e de todos os que partem para a duríssima batalha de publicar
uma obra nesse país de Clodivis.
E quando ficar pronto, Rose, mande um exemplar – autografado,
por favor – para o acervo de MeuJornal, que só
perde para os da Biblioteca de Washington
e a do Vaticano :>)
Dino Gracio – MeuJornal (16-04-05)
_____________________________________________________________________
"Retirantes de barro
Parecia ser apenas mais uma fila de retirantes. As cabeças
estavam curvadas e a poeira do chão parecia ser o visual
eterno. De caras suadas. Sujas. Eles se despediam daquele lugar,
reclamado pelo diabo para si, com passadas pesadas e levando no
rosto uma expressão de decepção. Impotência.
Logo eles que por décadas, séculos, estiveram no
centro do pensamento daqueles povos. No auge dos seus andores.
No céu dos seus altares. Humildes como seus devotos. Profeticamente
calados. Mas sempre repletos de toda a glória emanada nos
sacrifícios daquela gente e nas suas orações
diárias. Eles estavam de partida.
Partiam porque era uma tarefa árdua demais. Depois de
dedicarem suas vidas terrenas a uma causa maior. Tinham que dedicar
suas vidas celestes a uma causa ainda mais superior. Ser referência
e depositários da fé alheia. Logo eles que só
receberam homenagens e uma relação de infindáveis
pedidos das suas ovelhas.
Parecia que o transpor para a santidade não os tinha acrescentado
nenhum privilégio especial. Um dom supremo capaz de aliviar
o sofrimento daqueles rostos marcados pela dor. De provocar um
sorriso naquelas crianças de olhos adultos e distantes.
Delicados. Como o próprio barro do qual eles eram feitos.
Modestamente, o que é da essência de suas vidas,
perceberam que os voluntários que vinham para o sertão
nordestino com suas dicas sobre saúde e suas rações
mágicas que afastavam os demônios da desnutrição,
tornaram-se mais eficientes do que as procissões. As rezas.
Também concluíram não serem capazes de lutar
contra a indústria da fome. Contra os fabricantes de miseráveis.
Não! Eles não tinham poder para tanto. Claro, não
estavam filiados a nenhum partido e a nenhuma corporação,
apesar de serem admirados por ambos. Cultuados.
Então decidiram partir. Quem sabe para uma cidade maior.
Cheia de oportunidades. Com igrejas luxuosas. Fiéis alegres
e de rostos corados. Onde as desgraças do mundo não
fossem jogadas sobre seus ombros. Nem as esperanças."
Fábio Santana,
escritor (20-11-04)
MeuJornal (28-01-05)
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"O mascote
1991. Quatorze anos. Época do tal segundo grau. E você
parece ter
apenas dez. Estuda em um colégio diferente. Só existem
homens. Pessoas que, estando no segundo grau, possuem a púbis
repleta de pêlos e já perderam a virgindade.
As brincadeiras que rolam são as mais violentas possíveis,
tudo
para provar a masculinidade de cada um numa idade auge da
“aborrescência”.Tudo envolto na mais pura testosterona à
flor da pele.
Ser homem é ter pentelhos e ser forte, é subjugar
o colega mais
fraco a base da porrada por motivos tão fúteis quanto
uma discussão a respeito de um lanche.
Você está longe de ser este modelo de jovem. É
mais baixo, muito
mais magro, fraco fisicamente. È medroso. Foi jogado lá,
órfão de mãe, com o
saco mais liso que acrílico. Mas você tem, na pureza
e inocência de seus
atos, algo que pode tornar-se mágico e cativante. Pergunta
para um daqueles trogloditas: “Você quer ser meu amigo?”
Pronto. Este simples gesto contagia qualquer um. A palavra crua
de um inocente. Um ingênuo que sente-se mais seguro ao poder
abraçar amigavelmente um cara mais forte. Sente-se melhor
ainda quando vê este ídolo adolescente protegendo-o
de todos os males a que está sujeito naquela idade e naquele
ambiente, onde auto-afirmação era anseio de todos
e impulsionadora de toda e qualquer ação.
Não tarda para este pequeno menino cair nas graças
da turma inteira.
Apesar da aparência mirrada, interage como poucos com o
resto da turma. Tem o papo em dia, acompanhando e seguindo as
tendências e novidades da
juventude. Porém, quando o assunto é sexo ele se
retrai, mas ninguém força a barra. Os amigos entendem
que não devem apressar as coisas e que aquele garoto terá
sua hora certa para a iniciação sexual.
Eta garoto sortudo! Confiar seus temores a pessoas desconhecidas
e
não chafurdar por isso. Sim. Não chafurdar. Pois
os tais brutamontes de
sacos peludos eram de boa alma. Adotaram o pequeno e tornaram-no
o mascote da turma, literalmente.
Erguiam-no, como um troféu, em bagunças na sala
de aula, sustentando-o
ao alto numa das cadeiras da classe, dando voltas e mais
voltas por entre as mesas, enquanto nosso pequeno sorria fulguralmente,
acenando para outros estudantes que podia observar através
das janelas,
durante o horário do recreio.
Era poupado das brincadeiras violentas, mas seus companheiros
não o poupavam das sessões de cócegas na
mesa do professor. Para nosso pequeno jovem isso era o máximo.
O clímax era ser jogado na sala da quinta série.
Um garoto do segundo grau jogado na sala das crianças de
vozes finas. E a meninada gritava:
“Teu lugar é aqui! Você fugiu do ginásio!”
Glória para nosso mascote!"
Ser ovacionado por seres do seu tamanho que estavam a seis anos
de distância atrás dele.
Acordar às quatro da manhã, antes mesmo do astro-rei
que rege o dia,
entrar sonolento no ônibus escolar, totalmente desanimado
por ter que estar
de pé antes do Sol, até lembrar que passaria por
momentos tão bons no dia
que começava. Encostava a cabeça na janela e dormia,
sonhando estar, mais
uma vez, no topo do mundo, naquela cadeira...
Bons momentos aqueles. Inocência pura. O amanhecer era realmente
belo. Quem daria valor a isso? As pipas no céu do Rio de
Janeiro eram
deslumbrantes. Aprender matemática com um professor cheio
de tiques nervosos e cacoetes, tido carinhosamente como louco
e que chamava todo e qualquer aluno de Cornélio, além
de relinchar e desferir coices no ar quando alguém não
conseguia resolver suas equações que ocupavam a
lousa inteira. Ver o que acontecia no Brasil em 1800. Descobrir
que homem é “xy” e mulher é “xx”.
Perceber que aquele velho barbudo, que aparecia em fotografias
com a língua
de fora, escrevera “E=mc2” não por acaso, mas por genialidade.
E, com tudo
isso, começar a ver um mundo se descortinando. Um mundo
diferente do de seus amigos bárbaros. Um mundo repleto
de falsidade e hipocrisia. A partir daí nosso mascote deixaria
de ser o mesmo. Teria que mudar e, por mais que
resistisse, a mudança viria. Mesmo não querendo,
o mundo se encarregaria
disso.
Considere um hiato de pouco mais de dez anos e ouça quem
vos
escreve. Este mascote sou eu, com pêlos no saco, barba por
fazer, não mais
virgem, longe de ser inocente, vivendo neste mundo cão,
com saudades de meus amigos trogloditas, peludos e tão
ingênuos quanto eu.
Tudo que sinto agora é vontade de chorar.
Mas homens sacudos não choram! É verdade.
Quem disse que sou um homem sacudo?
Eu sou o mascote! Com muito orgulho! E choro, cerrando os olhos,
com as mãos na cabeça, tapando os ouvidos e me curvando
como um feto, na esperança de que, ao abrir os olhos, meus
amigos trogloditas e puros me acalentem, me afaguem e me levantem
numa cadeira escolar, rumo a um céu intangível.
Guilherme Louzada Guimarães,
militar (08-01-05)
MeuJornal (09-01-05)
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Drummond
Receita
de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já
vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: Jornal
de Poesia (31-12-04)
Meu\jornal (31-12-04)
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Outra história
Apoio do Bandes a patrimônios
culturais capixabas
Fonte de MeuJornal no Bandes, banco
de fomento capixaba, corrige nota
de A Gazeta/ES (27-12-04) quanto ao trecho “Pela
primeira vez na sua história, o Bandes investiu numa ação
de preservação e revitalização de
patrimônio cultural, como o Museu de Arte do Espírito
Santo...”
Respeitado técnico da instituição enviou
mensagem a MeuJornal dizendo de algumas outras ações
- que rapidamente conseguiu levantar - a respeito do assunto.
“Seguem mais algumas contribuições do Bandes para
preservação da memória arquitetônica
e cultural de nosso estado:
1- 1984 - Restauração total do Teatro Carlos Gomes,
"que ameaçava ruir em face da absoluta carência
de recursos do Departamento Estadual de Cultura para fazer
a manutenção e as reformas necessárias"
- conforme relatório da época (presidência
de Antônio Caldas Brito). Ao dólar médio de
1984, o Bandes aplicou no TCG em torno de US$90 mil, hoje, cerca
de R$ 250.000,00
(duzentos e cinquenta mil reais);
2- 1993 (presidência de João Luiz de Menezes Tovar)
- Nova reforma e modernização (com o projeto
de climatização) do Teatro Carlos Gomes.
3- 1987/1991 (presidência de Odilon Borges) - Serviços
de restauração do Santuário Padre Anchieta,
em parceria com o SPHAN;
4- Serviços de restauração do Convento da
Penha (entre 1990 e 1991), em parceria com o DEC, Banestes, CVRD, Garoto,
Prov. Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil;
5- Restauração dos Quadros do mestre Benedito
Calixto, do Convento da Penha, em parceria com o DEC,
6- Serviços de restauração da Igreja do
Rosário, em Vila Velha , em parceria com o DEC;
7- Serviços de restauração da FAFI, em parceria
com a PMV, Flexibrás, Albaquímica, Camilo Cola,
Inbrac, Olvesa e Brasflex;
8- Serviços de restauração da Igreja N.S.
da Ajuda, em Araçatiba (Viana), em parceria com a PMViana;
9 - Pavimentação e drenagem do acesso ao Museu
Solar Monjardim, em parceria com o SPHAN;
O Bandes também apoiou a restauração do Museu
do Colono, em Santa Leopoldina , mas não tive tempo hábil
para localizar maiores dados a respeito.”
Então, fica o registro. Histórico.
Dino Gracio
- MeuJornal (27-12-04)
Fonte: Bandes (off) (27-12-04)
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Mídias alternativas
MeuJornal ficou na mesa
Quinta, 2/12, como parte das comemorações do 1º
aniversário do Forninho, aconteceu mesa-redonda
na Assembléia Legislativa.
O objetivo do evento foi fazer com que representantes de meios
de comunicação, entidades artísticas e sociedade
tivessem oportunidade de refletir a interação do
artista com os meios de comunicação tradicionais
e alternativos.
Se não foi grande o público, expôs, entretanto,
colocações que levam à reflexão como
a fraquíssima ou direcionadíssima cobertura dos
grandes veículos a eventos e que não refletem com
a desejada força as realizações culturais
do Espírito Santo.
Nesse aspecto, em vários momentos foi criticada a tímida
atuação da TVES, que não contou com participação
- apesar de convite e confirmação de presença
- de representante no acontecimento.
Dino Gracio, editor de MeuJornal, participou da mesa-redonda,
transmitida pela TV Assembléia.
Os temas do evento:
O Artista Capixaba na Mídia e
Experiências de Mídias Alternativas e o Artista Capixaba.
MeuJornal parabeniza a Fábio Santana, criador do Forninho
- 1 ano de existência - e à sua equipe, pela realização
da mesa-redonda.
Um enorme esforço digno de todos os elogios.
Dino Gracio - Editor MeuJornal
(04-12-04) ____________________________________________ |
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